Governo quer desarmamento no NE
O governo está estudando a realização de uma operação de desarmamento em várias regiões do Nordeste, principalmente em Pernambuco, onde há possibilidade de conflito entre integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e fazendeiros. O assunto será discutido na próxima semana entre os ministros Renan Calheiros, da Justiça, e Raul Jungmann, de Política Fundiária e o governador do Estado, Miguel Arraes.
Ontem, Calheiros determinou à Polícia Federal a abertura de inquérito contra o líder do MST na região, Jaime Amorim para apurar se ele cometeu crime de incitação à violência.
Os indícios são suficientes para se ter a certeza de que teremos uma ação penal na sequência do inquérito policial, adiantou o ministro da Justiça, após o encontro com o vice- procurador da República, Haroldo Ferraz da Nóbrega e Jungmann. Jaime Amorim defendeu a luta armada como possibilidade, dependendo das circunstâncias, afirmou Calheiros, ao falar de entrevistas concedidas pelo líder do MST.
Segundo Calheiros, as declarações de Amorim ocorrem quando a Comissão Pastoral da Terra (CPT) admite a redução do número de casos violência no campo e no momento em que o governo cumpre suas metas de reforma agrária. Se o MST quer avanço, isso vai acontecer pela via democrática, até da pressão, jamais da luta armada, radicalizada, disse.
Não estamos preocupados apenas com a radicalidade do lado do MST, afirmou o ministro. Encaminharemos reeprimendas, venham de onde vier, seja do lado dos sem-terra ou do lado dos fazendeiros, se recorrerem a armar milícias, disse Calheiros, ressaltando que há cerca de quatro meses foi aberto inquérito para apurar declarações do ruralista Narciso Claro, que teria incitado o uso de armas, numa declaração à televisão. O ministro, no entanto, não sabia dizer qual o encaminhamento do inquérito. Solicitei à PF o relatório de todos os inquéritos em andamento, afirmou.
Segundo Renan Calheiros, a Polícia Federal ainda não encontrou provas da formação de milícias armadas em Pernambuco. A PF vai verificar se os fazendeiros estão contratando serviços das chamadas empresas de segurança, afirmou. Se comprovado, determinarei a cassação do registro dessas empresas, antecipou.
Qual a razão para apelar para armas no instante em que a violência cai no campo, afirmou Jungman, mostrando um gráfico de redução dos atritos no campo.
Não é apenas o MST que radicaliza de um lado; a UDR também radicaliza de outro porque, no fundo, são faces da mesma moeda, afirmou o ministro de Política Fundiária. Aos dois interessa o incremento da violência porque sem ela deixam de ter o mercado da opinião pública.Wilson Pedrosa/AE(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)O vice-procurador Haroldo Ferraz da Nóbrega (e); o ministro Raul Jungmann (c) e o ministro Renan CalheirosAgência Estado





