Governo quer concluir negociações para colocar Recoop em operação
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quinta-feira, 20 de maio de 1999
Por Mariângela Herédia 
Brasília, 21 (AE) - O Ministério da Fazenda espera concluir, até o final da próxima semana, as negociações com os bancos para iniciar as operações do Programa de Revitalização das Cooperativas Agropecuárias (Recoop). Segundo o assessor do Ministério da Fazenda para a área agrícola, Gerardo Fontelles, 192 cooperativas já tiveram seus projetos de viabilidade econômica-financeira aprovados pelo comitê-executivo do Recoop e só aguardam agora uma definição com os bancos.
O Tesouro Nacional decidiu repassar os R$ 2,1 bilhões destinados ao Recoop em dinheiro e não mais em títulos, conforme inicialmente previsto. Só que os bancos precisam conceder um rebate nas dívidas das cooperativas e essa tem sido a parte mais difícil da negociação. Embora o rebate estivesse previsto na medida provisória que criou o Recoop, divulgada há cerca de um ano, os bancos estão resistindo a dar o desconto, segundo o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Dejandir Dalpasquale. Enquanto não há um acordo entre o Tesouro e os bancos, as cooperativas estão enfrentando dificuldades, de acordo com os dirigentes da OCB.
Dalpasquale disse que há uma "pressão muito forte" e que as cooperativas estão querendo organizar manifestações em Brasília. O diretor de Crédito Rural do Banco do Brasil (BB), Ricardo Conceição, disse que o BB não está mesmo recebendo os processos já aprovados pelo comitê, apesar da pressão das cooperativas, porque quer aguardar o acerto com o Tesouro para soltar as normas completas para as agências. Afirmou que o BB nunca foi contra o Recoop mas admitiu dificuldades nas negociações sobre o rebate. "A medida provisória diz que o saldo devedor das cooperativas será calculado após rebate, mas é preciso esclarecer o que é isso e quem vai pagar a diferença", observou.


