Brasília- Está em estudo no Ministério da Educação uma proposta que prevê destinar parte do Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior) para atender especialmente alunos de cursos de graduação da área de saúde em troca de serviços à rede pública.
O projeto trabalha com financiamento de 100% da mensalidade, principalmente em medicina, durante o curso. Em contrapartida, depois de formado, o aluno assinaria um contrato com o SUS (Sistema Único de Saúde) para atender a população em regiões carentes deste tipo de profissional.
De acordo com o valor da mensalidade e o período financiado, o jovem profissional prestaria o serviço à rede pública por determinado prazo. Caso haja algum tipo de impedimento do formando em cumprir o contrato, ele pagaria a dívida pelo financiamento.
O objetivo é tentar reduzir a falta de médicos e profissionais de saúde em regiões distantes e no interior dos Estados.
Técnicos do ministério estão finalizando a proposta para definir, por exemplo, qual seria o prazo necessário de contrato e os cursos da área de saúde a serem incluídos. A idéia é atender inicialmente medicina, mas podem entrar outros, como odontologia e fisioterapia.
Para vigorar, porém, o projeto dependerá de aprovação do Congresso Nacional.
O Fies, criado no final da década de 90 para substituir o extinto Creduc (Programa de Crédito Educativo), financia atualmente 50% do valor da mensalidade, sendo o restante pago pelo aluno. Enquanto cursa a graduação, o beneficiado se compromete a pagar, a cada três meses, R$ 50, valor abatido do saldo devedor. Após a formatura, ele tem um prazo para pagar o restante. A taxa de juros foi fixada por lei em 9% ao ano. A inadimplência está em 23%.
Ontem, o Ministério da Educação anunciou que oferecerá neste semestre 100 mil contratos do Fies, com investimento previsto de R$ 100 milhões. São 381 mil contratos ativos, com orçamento de R$ 816 milhões neste ano.

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