Brasília, 6 (AE) - O secretário de Comércio, Serviços e Política Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Helio Mattar, disse hoje que o governo está disposto a renegociar o acordo automotivo sob duas condições: de que as montadoras mostrem seus balanços e comprovem via auditagem que realmente tiveram prejuízos -, ou de que se disponham a aumentar sua produção de carros e autopeças no Brasil.
"Não conseguimos entender o comportamento das montadoras nesse momento, que não puderam esperar 10 a 15 dias para dar reajuste e renegociar um acordo em novas bases", afirmou Mattar, que falava em nome do próprio presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo ele, o governo estranha esta posição, na medida em que acenou com a possibilidade de que este prazo fosse reduzido em até menos de 10 e 15 dias.
Mattar explicou que a proposta de abrir o balanço das montadoras e ampliar a produção de carros e peças no País será encaminhada ao presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto. Ressaltou, contudo, que o governo não aceita os aumentos de preços praticados nos últimos dias e que se a nova proposta não for aceita as negociações serão encerradas.
O secretário explicou que, após a auditagem dos balanços
se de fato for comprovado prejuízo o governo está disposto a negociar um novo acordo que permita a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em um índice menor, com algum tipo de reajuste. Esclareceu, contudo, que esses percentuais (IPI e aumento) serão definidos com base nos resultados da auditagem.
Ele também informou que, se as empresas concordarem em discutir a possibilidade de realocarem sua produção mundial, privilegiando o Brasil com maior produção de veículos e autopeças, o governo poderá pensar em alguma forma de reduzir os impostos praticados no País. "O Brasil pode se tornar o grande produtor mundial de carros populares, além de ter grande potencial exportador", observou.
Controle - O secretário também descartou qualquer possilidade de que o governo venha a controlar preços das montadoras. "Se as empresas estão pensando nessa hipótese, e por isso, não estão querendo renegociar, podem esquecer isto, porque não existe possibilidade de controlar preços", enfatizou.
Segundo ele, esta poderia ser uma razão para a inflexibilidade das montadoras. "Ou elas já estavam com demissões planejadas e por isso não quiseram firmar um novo compromisso", afirmou. Mattar também garantiu que o governo não reduzirá o Imposto de Importação para facilitar a importação e, desta forma, pressionar as empresas locais a reduzirem preços.
Independentemente de um novo entendimento com as empresas, Mattar disse que reunirá a cadeia produtiva automotiva na próxima semana para avaliar quais os problemas que estão dificultando o crescimento do setor. Segundo ele, vai propor que as discussões se centrem em quatro pontos: metas de geração de emprego, substituição de importações, potencial exportador e relocalização da produção global das montadoras, para aumentar a produção de veículos no País.
Sobre um eventual financiamento de R$ 600 milhões, com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para financiar a venda de veículos, Mattar disse que este assunto ainda depende de entendimento com o ministério do Trabalho e o Banco do Brasil.
Consumidor - O secretário aconselhou ainda os consumidores a terem cautela com a compra de veículos enquanto permanecer o impasse entre governo e montadoras. "O consumidor deve pesquisar preços e tentar comprar mais barato", alertou.
Ele também defendeu a manifestação feita por metalúrgicos nesta quinta-feira em São Paulo, contra a suspensão do acordo emergencial para manutenção do emprego. "O presidente Fernando Henrique se solidariza com os trabalhadores, porque este é um movimento importante. Os trabalhadores também não entendem porque as montadoras não podem esperar mais 10 a 15 dias para renegociar um novo acordo", afirmou.

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