Governo quer aprovar este ano limite para gastos com vereadores
Brasília, 11 (AE) - O governo quer ver aprovada pela Câmara, ainda este ano, proposta de emenda constitucional do ex-senador e atual governador de Santa Catarina, Esperidião Amim (PPB), que limita os gastos nas câmaras municipais. Aprovada por unanimidade no Senado no ano passado, a proposta determina que os gastos para o funcionamento das câmaras sejam proporcionais à receita e à população do município.
"O presidente Fernando Henrique Cardoso pediu empenho dos líderes para a votação desta matéria", informou hoje o ministro das Comunicação e principal articulador político do governo, Pimenta da Veiga. "Este projeto deve ser uma das prioridades deste semestre", disse o ministro.
Desde sua aprovação pelos senadores, no segundo semestre
o projeto está parado na Câmara. Fernando Henrique chegou a incluir a proposta na convocação extraordinária do Congresso, em janeiro, mas o assunto foi ignorado pelos deputados, sob pressão para a aprovação do programa de estabilidade fiscal.
"O que era uma iniciativa moralizante, correta, passou a ser oportunamente necessária", disse o governador catarinense. Segundo ele, além de impor limites, o projeto contribui para a política de contenção do déficit público estabelecida no acordo de socorro financeiro assinado entre o Brasil e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
O ministro das Comunicações considera que as revelações das irregularidades cometidas na Câmara dos Vereadores de São Paulo reforçam a necessidade de fixar limites de gastos de cada Poder. "Não é possível que o Legislativo tenha a franquia de gastos como ocorre atualmente", afirmou Pimenta da Veiga. "A função do Legislativo não exige muitos recursos; exige ação.
Segundo ele, episódios como os de São Paulo são "profundamente desmoralizantes". De acordo com o ministro, o mais grave é que este tipo de problema concentra-se nas grandes cidades do Brasil.
Grave - O governador de Santa Catarina acha que as denúncias relativas ao município de São Paulo "são apenas um reflexo" do que ocorre no restante do País. Ele citou, por exemplo, o caso da cidade de Feijó, no Acre, onde em 1996, segundo Espiridião Amim, 25% do orçamento total do município destinavam-se ao custeio da Câmara Municipal.
Para Pimenta da Veiga, o ideal seria estabelecer que, até um determinado limite de população do município, os vereadores não deveriam ser remunerados. Desta forma, a pequena receita das cidades menores não ficaria comprometida com os gastos do seu Legislativo.
Amim explicou que as únicas limitações constitucionais existentes até o momento impedem apenas gastos superiores a 5% do orçamento das câmaras para o pagamento dos salários dos vereadores. "O que eles passaram a fazer, então, foi criar grupos com salários altos, como mecânicos e manicures", disse o governador. "Além disso, surgiram as chamadas subvenções sociais como forma de burlar a legislação."
"O projeto de Amim interessa também a muitos governadores e prefeitos", lembrou o ministro Pimenta da Veiga. O governador contou que na reunião entre o presidente e os governadores, em fevereiro, o governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, chegou a sugerir a criação de um projeto similar para as assembléias legislativas.
A polêmica em torno do Legislativo municipal foi acirrada pela recente decisão - já embargada judicialmente - dos deputados distritais de Brasília de aprovarem, na semana passada
em benefício próprio auxílio moradia no valor de R$ 2.250,00. A atitude irritou a população local, até porque todos os parlamentares moram na cidade.Por Sônia Cristina Silva e Gustavo Paul ATENÇÃO EDITOR: Esta retranca corrige informação no primeiro parágrafo. Por favor, desconsidere a enviada anteriormente.





