Brasília, 5 (AE) - Os "bombeiros" dos partidos que compõem a coalizão governista devem entrar em campo nesta semana para apagar os focos de incêndio que estremeceram as relações entre os aliados do presidente Fernando Henrique Cardoso. Os desentendimentos entre os partidos da base governista não chegaram a contaminar as expectativas sobre a recuperação da economia, mas o governo não pretende correr riscos, pois o Congresso ainda precisa regulamentar pontos importantes das reformas previdenciária e administrativa.
O principal ponto de atrito entre os aliados deverá ser equacionado até quarta-feira, quando a Comissão Especial da Câmara que discutirá a reforma do Judiciário se reúnirá para escolher seu presidente. O PFL e o PSDB disputam a relatoria da proposta de emenda constitucional e ameaçam o confronto. Os tucanos, apoiados pelos partidos de oposição, não aceitam que a reforma seja relatada pelo deputado Jairo Carneiro (PFL-BA), que pertence ao grupo político do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães.
O PSDB quer indicar o deputado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) para a relatoria. Uma terceira alternativa, que conta com a simpatia do PT, tem possibilidades de progredir nesta semana: Jairo Carneiro seria confirmado como relator, mas teria quatro auxiliares de outros partidos, inclusive do PT.
CPIs -O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), deve se encontrar com o presidente do PMDB, senador Jáder Barbalho (PA), neste início de semana para acertar os detalhes sobre as indicações dos representantes dos respectivos partidos para as CPIs do Judiciário e do Sistema Financeiro. O senador Antônio Carlos espera instalar a CPI do Judiciário até o final da semana e já aceita que a outra seja instalada posteriormente, desde que não sejam indicados "incendiários" para a Comissão.
Esse objetivo já foi parcialmente alcançado com a decisão política de não se realizar uma CPI conjunta da Câmara e do Senado. Essa decisão deve materializar-se nesta semana, quando deputados da base governista, pressionados por seus líderes, devem retirar as assinaturas do requerimento da CPI do Sistema Financeiro proposta pelo deputado Aloízio Mercadante (PT-SP).

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