Brasília, 16 (AE) - Durante entrevista coletiva em que anunciou o programa de comercialização para a safra 99/2000, o ministro Pratini de Moraes também anunciou que o governo decidiu prorrogar o vencimento dos débitos de empréstimo de custeio de arroz que vencerão em junho e julho próximos junto ao Banco do Brasil. Essa dívida, que corresponde a cerca de R$ 141 milhões, será repactuada em pelo menos 70%, e as respectivas parcelas passarão a vencer em novembro e dezembro deste ano. "O objetivo é adequar o cronograma de pagamento ao de comercialização", observou Pratini.
Com relação a fixação de um preço mínimo para o arroz de R$ 14,84, como estão pleiteando os arrozeiros gaúchos, Pratini disse que ainda não há definição. Salientou, no entanto, que o governo irá apoiar as negociações que arrozeiros brasileiros, argentinos e uruguaios vêm fazendo para limitar as importações de arroz do Mercosul neste ano.
Este ano haverá um excedente de 3,3 milhões de toneladas de arroz no Mercosul e a intenção do setor privado é a de negociar uma fixação de cotas para a importação de arroz, a exemplo do que ocorreu com os calçados brasileiros no final do ano passado. "Esta é uma negociação entre o setor privado, mas não podemos permitir uma inundação de arroz para depreciar os preços pagos ao produtor", observou o ministro.
Pratini, que estava acompanhado do presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul, Carlos Sperotto, e do presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul
Renan Proença, além de parlamentares gaúchos, também criticou duramente a criação de um novo programa de subsídio agrícola pelos Estados Unidos. Este programa, que irá permitir ao produtor receber a diferença entre os preços das principais commodities e os preços mínimos pagos pelo governo americano, é "um absurdo e um indutor de depreciação de preços no mercado internacional", na avaliação do ministro.
Pratini enfatizou que o programa americano, que ainda esté sendo discutido no Congresso dos Estados Unidos, está sendo concebido com o objetivo exclusivo de beneficiar os grandes produtores de algodão americano. "Um subsídio só é legítimo se não provocar distorções no mercado", observou Pratini, lembrando que os Estados Unidos só praticam livre comércio quando lhes convém.

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