Brasília, 13 (AE) - Com um atraso de um mês e quinze dias, o governo federal prorrogou hoje por mais 90 dias o prazo para conclusão da análise da pauta de reivindicações da greve dos caminhoneiros, ocorrida em julho e que quase parou o País. O prazo inicial para solução da pauta expirou em 28 de outubro. É a primeira prorrogação de prazo destas negociações, que deveriam se encerrar em 90 dias depois do fim da greve e vão se estender por pelo menos 7 meses.
Segundo a assessoria do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, a prorrogação visa não "fechar as portas" das negociações, pois vários assuntos ainda estão pendentes, em plena negociação. A portaria divulgada hoje, com data de 5 de novembro, passa a valer a partir da sua publicação, o que significa que as negociações podem prosseguir até 13 de março. A explicação pela demora na publicação da portaria interministerial foi "a dificuldade" em conseguir as assinaturas dos seis ministros envolvidos nas negociações.
Participam das negociações os ministros Pedro Malan (Fazenda), Eliseu Padilha, José Carlos Dias (Justiça) (José Carlos Dias), Francisco Dornelles (Trabalho), Waldeck Ornellas (Previdência) e Aloysio Nunes Ferreira (Secretária Geral da Presidência da República).
A assessoria de Padilha afirmou também que não houve registro de paralisações hoje nas estradas do País, apesar do anúncio de nova greve feito pelo Movimento União Brasil Caminhoneiro (UBC). O presidente da organização, Nélio Botelho, afirmou que nenhum resultado concreto foi obtido com as negociações com o governo.
Desde o final de outubro, quando de expirou o primeiro prazo, não foi mais divulgada a ocorrência de reuniões formais entre os representantes dos caminhoneiros, do governo e dos empresários. No último balanço sobre o atendimento das pautas de negociação, o ministro Eliseu Padilha afirmou que "nenhuma das reivindicações deixou de merecer atenção" e que cinco dos 11 ítens da pauta "podem ser considerados como definitivamente atendidos".
Em uma correspondência enviada em 22 de outubro ao ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, o ministro dos Transportes afirmou que já foram atendidas as reivindicações que tratam das alterações no Código Brasileiro de Trânsito, restando apenas a definição do Congresso Nacional. Também foram modificados os critérios de pesagem das balanças nas estradas e as prioridades de investimentos nas rodovias.
Outro ponto considerado atendido é a aposentadoria aos 25 anos de trabalho para o motorista profissional e o direito irrestrito de tráfego a caminhões em quaisquer rodovias. Apenas a exigência do fim da corrupção entre os fiscais não avançou pois depende da citação e identificação dos fiscais e policiais corruptos.
Ainda precisariam ser resolvidas questões sobre os preços dos pedágios, cujos estudos para reduzir as tarifas por eixo ainda estão sendo realizados. Reduzir o valor para R$ 1,00 por eixo, uma das propostas dos motoristas, é considerado algo inexequível. A planilha de fretes também está sendo discutida entre as partes, sendo arbitrada pelo Ministério dos Transportes. O aumento dos preços de pedágio, previsto nos contratos de concessão e que deve ser anunciado até o final do ano, é considerado um fator que poderá prejudicar as negociações.

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