Governo promete contestar
O governo, que hoje fará um discurso sobre o assunto, afirmou que irá contestar por escrito os números apresentados por Alston. ''Achamos que há alguns dados que precisam ser verificados'', explicou Marcia Adorno, chefe do Departamento de Direitos Humanos do Itamaraty.
Em seu discurso, o governo irá ressaltar o que vem fazendo. ''Achamos que o relatório não enfatiza os aspectos positivos das políticas que estamos tomando'', afirmou Marcia. Mas o governo não irá negar que os problemas de violência existem no Rio.
O governo ainda conta com partes do relatório mantidas em confidencialidade, mas afirma que por enquanto não o divulgará. Para Alston, o governo federal poderia até ficar feliz com as conclusões do relatório, já que as críticas seriam dirigidas muito mais aos Estados. ''O governo federal está de mãos atadas'', atacou. Para Marcia, ''isso é algo exagerado''.
Alston quer também uma resposta do governo do Rio de Janeiro. ''Espero que seja algo com conteúdo e não apenas que rejeitem os dados'', disse. Já ONGs que estavam na sala, como a Anistia Internacional, afirmaram terem ficado ''chocadas'' com as informações sobre o Brasil.
A ONU pediu medidas urgentes do governo. Entre elas está a reforma do sistema judiciário para poder julgar policiais, além de maiores salários aos policiais para que não caiam em esquemas de corrupção. Para Marcia, os valores dos salários divulgados no relatório não estariam corretos.
Alston ainda sugere uma ampla investigação na atuação das policias, e monitoramento das prisões e maiores recursos para os Ministérios Públicos. A ONU alerta que entre 45 mil e 50 mil pessoas são vítimas de homicídios no Brasil por ano.(A.E.)





