Governo prevê que indústria puxará crescimento do PIB em 2000
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terça-feira, 26 de outubro de 1999
Por Lu Aiko Otta 
Brasília, 27 (AE) - O crescimento de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado pelo governo para o ano 2000 será puxado pela indústria, que deverá crescer 5,2%. Foi o que informou hoje o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, ao divulgar o Boletim de Acompanhamento Macroeconômico. Ele acredita que a produção já deve entrar o ano em crescimento para repor os estoques do comércio após as vendas de Natal. "O Natal será muito bom", disse o secretário-adjunto de Política Econômica, Fernando Montero. As estimativas do governo são de que o setor agropecuário apresentará um crescimento de 3,8% em 2000, enquanto o setor de serviços crescerá 3,7%.
As perspectivas positivas para a indústria já começaram a aparecer em agosto último. As vendas industriais, medidas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), apresentaram crescimento de 3,1% sobre o valor registrado em agosto do ano passado. Foi a primeira vez em 99 que as vendas ocorridas em um mês superaram o mesmo mês em 98. "Aos poucos, na margem, estamos verificando sinais de revitalização da atividade econômica", disse o secretário.
Já a produção industrial apresentou, em agosto, o mesmo nível registrado em agosto de 98. Isso mostra que há tendência de recuperação. Os volumes de produção, no entanto, ainda estão abaixo dos ocorridos antes da crise asiática. Pelos cálculos da equipe de Amadeo, a atividade industrial só atingirá o mesmo nível de antes da crise no final de 2000. Ainda assim, haverá o crescimento de 4% no PIB.
A "locomotiva do crescimento" do próximo ano será, na avaliação de Amadeo, a indústria, principalmente no setor de bens de consumo duráveis, que já apresentam desempenho positivo. Para que esse segmento aumente ainda mais suas vendas, porém, será necessário oferecer condições favoráveis de crédito. Considerando que os salários não tiveram crescimento, o governo pretende utilizar o crédito para puxar a atividade econômica. "Isso é uma posição deliberada do governo", disse Amadeo. "Feito o ajuste cambial e a inflação tendo reagido como reagiu, é momento de relançar a economia; não há razões para não criar condições de a demanda crescer." O secretário acredita que as medidas para redução das taxas de juros deverão mostrar resultados "substanciais" nos próximos meses.


