Rio O Ministério da Educação vai mudar as regras do Fies, programa do governo federal de financiamento de mensalidades em universidades particulares. Segundo o ministro Cristovam Buarque, uma parte do total de financiamentos será paga pelos estudantes por meio de trabalhos sociais, como dar aulas de alfabetização a adultos. Hoje, o Fies, criado pelo governo Fernando Henrique para substituir o Creduc, financia 184 mil alunos de um total de 2,1 milhões de estudantes na rede privada de ensino superior.
O ministro não deu muitos detalhes. Disse apenas que parte dos financiamentos será paga em trabalhos sociais. ''Uma parte dos financiamentos vai continuar sendo paga pelo aluno, com juros, depois de formado. Outra parte será transformada em bolsa, que será paga com o trabalho social do jovem, sobretudo em classes de alfabetização'', disse o ministro, sem entrar em detalhes de quantos financiamentos seriam feitos pela nova proposta.
Cristovam afirmou apenas que o governo priorizará a concessão dessas novas bolsas em cursos onde há mais carência de profissionais no Brasil, como os de pedagogia e as licenciaturas, que formam professores.
O ministro afirmou também que o governo estuda, ainda de forma embrionária, aumentar de três para quatro anos a duração do ensino médio. A proposta pode entrar em vigor já no ano que vem. Isso, no entanto, depende de mudança na Lei de Diretrizes e Bases da Educação.
Segundo Cristovam, essa medida teria impactos positivos também no mercado de trabalho. ''O Brasil inteiro fala na idéia de criar o primeiro emprego. Cada vez que você segura o jovem um ano a mais no ensino médio, você o está preparando melhor para entrar no mercado de trabalho. Além disso, são jovens que não vão entrar imediatamente no mercado, deixando mais empregos para os mais velhos'', afirmou.
Ainda durante sua permanência no Rio, o ministro Cristovam Buarque disse que não defende a adoção da política de cotas para negros nas universidades antes que haja um consenso sobre a questão.
Cristovam disse que, como pensador e professor, considera o sistema um bom caminho, mas, como ministro, espera que a questão se torne lei para as instituições quando estiver mais aceita pela opinião pública.
O ministro afirmou que, no momento, uma lei nesse sentido pode acirrar a discriminação. Ele elogiou a iniciativa da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) em protagonizar o debate.
Cristovam proferiu aula inaugural do ano letivo da UFRJ, que teve entre os presentes apenas três negros, como ele fez questão de destacar. O ministro também deu palestra ontem na Universidade Candido Mendes, no Rio.

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