Brasília, DF- O governo passou as últimas 48 horas tentando impor limites às ações de invasões dos movimentos rurais de trabalhadores sem terra. O Palácio do Planalto chegou a quase impor um ultimato aos representantes desses grupos, em especial ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ameaçando interromper o canal de diálogo com esses grupos, por conta da invasão de fazendas produtivas e de prédios públicos.
Essa pressão do governo garantiu que os sem terra começasse a desocupar ontem a fazenda Veracel Celulose, na Bahia, invadida na última terça-feira. Mas, o suposto início de entendimento com os sem terra, ainda está sendo marcado por contradições. Para a surpresa do governo, ao mesmo tempo em que deixaram a Veracel, os sem terra ocuparam outra fazenda produtiva em Araçatuba, contrariando a sinalização que haviam dado ao Planalto.
Para conseguir o recuo dos sem-terra e frear o impacto da série de invasões (58 até agora), o governo adotou a tática de usar um discurso brando nas declarações públicas e jogar duro com o comando do movimento. Para tanto, enviou dois emissários estratégicos para as regiões mais conflagradas. A ouvidora agrária Maria de Oliveira foi para Pernambuco, de onde coordena os contatos com os líderes dos sem-terra no Nordeste. Para a Bahia, foi deslocado Marcos Kovarik, assessor da Presidência do Incra, que ajudou nas articulações para desocupação da Veracel.
O recado dos emissários chegou aos principais dirigentes do MST e foi direto: o governo não vai tolerar ações ilegais como invasão de área produtiva e ocupação de prédios públicos. Num discurso bem mais brando do que nos dias anteriores, a direção do MST divulgou ontem, por meio da assessoria, que ocupação de prédio público e de terra produtiva não faz parte da linha de ação do movimento.
Informou também que as ações do ''abril vermelho'' não têm por objetivo desestabilizar o governo, mas chamar a atenção da sociedade, por meio de pressão legítima, para a necessidade de se acelerar a reforma agrária no País.

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