Alexandre Sanches
De Londrina
O governo federal está preparando um pacote de medidas voltado ao desenvolvimento turístico brasileiro. A informação foi dada ontem com exclusividade à Folha pelo ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca. Em visita ao jornal, em Londrina, Greca falou sobre os projetos do turismo e não evitou questões polêmicas como a dos bingos. O ministro foi recebido pelo diretor superintendente da ‘Folha’, José Eduardo Andrade Vieira; o presidente do conselho de Administração, João Milanez, e o diretor de Redação, João Arruda.
O ministro Rafael Greca defende a transformação do potencial turístico existente no País em ‘‘produtos’’. Para isso, conta com o apoio do programa do governo, o Avança Brasil, que está voltando diversas ações para o desenvolvimento do turismo. ‘‘Entre as medidas estão a dilação de prazo para financiamento de hotéis, mais dinheiro para a capacitação do turismo, microcrédito do Banco do Brasil para a construção e reestruturação de hotéis pequenos, junto com a abertura do País para vôos chaters (fretados)’’, comentou o ministro, alegando ainda não poder adiantar qual montante de recursos que será destinado para sua pasta.
Para Greca, é necessário se repensar o conceito de turismo no País, incentivando inclusive uma melhora na rede hoteleira. ‘‘Os hotéis de duas estrelas têm que melhorar seu atendimento. Aliás, todos os hotéis precisam se adequar ao turismo. Nos Estados Unidos, por exemplo, uma família com vários membros pode ficar em um só apartamento. É preferível o estabelecimento se adequar do que perder clientes’’, ressaltou.
Uma das polêmicas que envolvem o Ministério do Esporte e Turismo é a privatização do Hotel das Cataratas, instalado no interior do Parque Iguaçu. Rafael Greca defende a privatização do hotel como forma de incrementar o turismo. ‘‘Uma rede internacional de hotéis quer transformá-lo em seis estrelas. Com isso, atrairemos um público que fica somente nas principais capitais, onde há este tipo de conforto’’, informou.
O ministro falou também sobre o polêmico caso dos bingos. Nota publicada no jornal ‘‘O Estado de São Paulo’’, de anteontem, especula a possibilidade de uma devassa nas contas do ministério. Greca disse ser totalmente favorável às investigações. ‘‘Não estou preocupado com isso. Aliás, fui eu quem pediu todas as apurações realizadas até o momento no ministério’’, afirmou.
Ele lembrou que o projeto dos bingos não é de sua autoria, assim como a autorização de entrada dos caça-níqueis no País. ‘‘Sou favorável à proibição do jogo. Se o Congresso aprovar essa medida, para mim será a libertação. Mas enquanto isso não ocorre, o único meio de moralizar este setor é cobrando taxas sobre os bingos’’.
Pela lei atual, os bingos têm que destinar 7% do que arrecadam para o desenvolvimento do esporte. Isso representa R$ 108 milhões declarados para o esporte e R$ 160 milhões em impostos. Hoje, uma equipe do governo estuda, a pedido do presidente Fernando Henrique Cardoso, a regulamentação dos bingos no país.
O problema em criar uma lei proibindo os bingos no Brasil, na opinião de Greca, seria a quantidade de ações indenizatórias. ‘‘Pelos cálculos da equipe econômica, estas ações representariam algo em torno de R$ 1 bilhão’’, afirmou.
O ministro está entusiasmado com os preparativos para a comemoração dos 500 anos de descobrimento do Brasil. No dia 9 de março, uma regata histórica parte de Portugal para o Brasil.Ministro Rafael Greca adianta à ‘Folha’ algumas medidas e fala sobre a polêmica envolvendo bingos e caça-níqueis
Cesar AugustoPROJETOSO ministro Rafael Greca ontem, na ‘Folha’, com o diretor superintendente, José Eduardo Andrade Vieira

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