Governo prepara campanha para combater câncer de mama
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de agosto de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 27 (AE) - Pelo menos oito mil mulheres morrem por ano no Brasil vítimas de câncer de mama. A melhor maneira de diminuir o elevado número de mortes é o diagnóstico precoce, mas
atualmente, só existem 50 aparelhos de mamografia na rede pública de todo o País. Para tentar reverter em parte essa situação, o Ministério da Saúde lançará em novembro um programa nacional de combate ao câncer de mama, cujo objetivo é diagnosticar precocemente o tumor por intermédio do exame manual dos seios, feito por um profissional de saúde.
"É preciso elaborar um programa de combate ao câncer de mama de acordo com a realidade do País", afirmou o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), Alfredo Barros, que está elaborando o programa em parceria com o ministério. Segundo ele, seria inviável fazer uma campanha orientando todas as mulheres com mais de 50 anos a fazer mamografia anualmente. "Se nove milhões de mulheres fossem fazer mamografia em um ano, certamente isso consumiria toda a verba anual do ministério", constatou o presidente da comissão científica da SBM, Ézio Novaes Dias. De acordo com ele, o problema não é exclusivo do Brasil, mas também de países desenvolvidos.
Diante de tamanho problema, a saída encontrada por técnicos do ministério e especialistas da SBM e do Instituto Nacional do Câncer (Inca) foi elaborar um programa que chamam de realista. A idéia é treinar profissionais de saúde, sejam médicos, enfermeiros ou mesmo auxiliares de enfermagem, para que se tornem capazes de fazer o exame manual de mama e detectar a presença de tumores. Eles serão orientados também a ensinar as mulheres a fazer o auto-exame. "Se uma mulher for a um hospital porque está com dor de garganta, seus seios serão examinados", explicou Barros. "Queremos que isso se torne uma rotina, como tirar a pressão".
Uma vez detectada alguma anormalidade, essas mulheres serão enviadas a um hospital que disponha de uma aparelho de mamografia. A partir do ano que vem, mais 99 aparelhos já licitados pelo ministério estarão instalados nos hospitais públicos. O exame manual só detecta tumores a partir de um centímetro de diâmetro, enquanto que a mamografia aponta formações de apenas três milímetros. "É claro que o exame manual não é tão eficaz quanto a mamografia", disse Dias. "Mas dentro da nossa realidade, já será uma grande coisa diagnosticar o câncer quando o tumor está do tamanho de uma ervilha e não de uma laranja".
Atualmente, entre 70% e 80% dos diagnósticos são feitos quando o problema já é irreversível. "Nossa expectativa é, com essas medidas simples, reduzir esse porcentual para 30% em dois ou três anos", afirmou Dias.


