Governo prepara campanha de imunização de índios e presidiários
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segunda-feira, 12 de abril de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 13 (AE) - Depois dos idosos, será a vez dos índios e presidiários serem vacinados contra a gripe e o tétano. O governo inicia, no final deste mês, uma campanha nacional de imunização dos dois grupos, considerados mais suscetíveis. Entre 1996 e 1998, o Ministério da Saúde detectou um aumento de 88% nos casos de problemas respiratórios na população indígena. Serão vacinados 312 mil indígenas e mais de 190 mil encarcerados.
Para isso, o ministério está articulando o apoio do Ministério da Justiça e das Secretarias Estaduais de Segurança Pública. Considerando a compra das vacinas e o apoio financeiro aos Estados, serão aplicados R$ 5,3 milhões para a ampliação da campanha. "Assim como os idosos, os índios e presidiários serão incluídos anualmente na vacinação", adiantou o secretário-executivo do ministério, Barjas Negri.
A vacinação começará logo que terminar a campanha dedicada aos idosos, no dia 23 deste mês. De acordo com o secretário, as doses necessárias já estão garantidas porque havia previsão de incluir os dois novos grupos. Em 1996, a Fundação Nacional de Saúde registrou 41.662 casos de afecções respiratórias entre os índios. Dois anos depois, o número subiu para 78.442. "Os índios são muito mais suscetíveis", explicou o presidente da Fundação, Januário Montone. "Muitas vezes, a gripe é a base para a evolução de doenças graves, como a pneumonia".
Serão vacinados contra a gripe todos os índios acima dos seis meses de idade, o que significa a quase totalidade da população. Para atingir locais mais distantes e garantir a vacinação de todos, serão usados os aviões da Funai. No caso de presidiários, não há estatísticas seguras na fundação, mas Montone argumentou que o confinamento em grandes grupos e a superlotação são receitas ideais para a proliferação de vírus e bactérias. No caso da população carcerária, todos vão receber a vacina contra a gripe e tétano. Aqueles com idade superior a 65 anos serão imunizados contra a pneumonia.
As vacinas compradas para a campanha dos idosos, presidiários e índios custou ao governo R$ 66 milhões. O secretário-executivo do ministério garantiu que, no próximo ano, o ministério vai novamente adquirir as vacinas contra gripe, que podem ser modificadas por causa da mutação do vírus. A vacina tem prazo de validade de um ano. Já a vacina contra o tétano vale por dez anos.


