Governo prepara ação contra empresas
Agência Estado
De São Paulo
O Ministério do Trabalho prepara uma ofensiva contra a informalidade no mercado de trabalho, que, segundo seus cálculos, já atinge 36% da força de trabalho brasileira. Na segunda quinzena deste mês, inicia-se uma operação em favor da carteira assinada envolvendo todos os 3.200 auditores fiscais do trabalho do País, 850 dos quais no Estado de São Paulo.
A partir do fim do mês, durante seis meses, todos os auditores terão como prioridade a fiscalização dos contratos de trabalho das empresas, avisou a secretária de Inspeção do Trabalho do ministério, Vera Olímpia Gonçalves.
A meta é obter a formalização de, no mínimo, 5% dos vínculos empregatícios ilegais, que representaria, em números absolutos, pelo menos 593 mil contratações no semestre.
Para orientar esse trabalho, o ministério preparou estudos sobre a incidência de informalidade em cada região. No Estado de São Paulo, há grande ocorrência de informalidade na agricultura, por exemplo. No meio urbano, o destaque é para o comércio, campeão em relações ilegais de trabalho, e o ainda confuso setor de serviços.
A operação dos fiscais pela formalidade tem a ver com a informação divulgada há alguns dias pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, de que no ano passado foram abertos 418.351 postos de trabalho, o melhor resultado em cinco anos. O IBGE revelou, porém, que 395.068 (94,4%) são empregos sem carteira assinada.
O economista-sênior do Dieese, Antônio Prado, lembrou que o governo deve mesmo preocupar-se - e muito - com o aumento da informalidade, que está reduzindo de forma espetacular a base de tributação que garante políticas públicas, como a habitacional e de saneamento - que têm o FGTS como uma das fontes -, a educacional (movida, em parte, pelos recursos do salário educação e das constribuições para o sistema S), a de Previdência social e outras.
Se a informalidade continuar crescendo no mesmo ritmo dos anos 90, teremos de discutir muito em breve toda a nossa estrutura tributária, que passará a ser insuficiente para o financiamento des estruturas fundamentais mantidas pelo Estado, afirmou.
Prado analisou os resultados da pesquisa de emprego do convênio Seade-Dieese na Grande São Paulo, de dezembro de 1989 a dezembro 1999, e chegou a números preocupantes. O número de trabalhadores sem carteira assinada e de autônomos cresceu 53% nesse período, enquanto o número de ocupados variou apenas 12%, revelou.
Em 1989, autônomos e sem carteira somavam 1,622 milhão de trabalhadores e em 1999 somavam 2,488. Eles eram 25% dos ocupados há 10 anos e hoje são 34%.
O Brasil também perdeu base de tributação por conta do desemprego. Na Grande São Paulo, por exemplo, a taxa de 6,7% de dezembro de 1989 pulou para 17,5% em dezembro de 1999, um aumento de 2,6 vezes. O número de desempregados era de 473 mil há 10 anos e agora é de 1,5 milhão cresceu 3,3 vezes.





