Assunção, 22 (AE-AP) - O governo do presidente Luis González Macchi desmentiu hoje (22) categoricamente uma tentativa de golpe militar no Paraguai. Contudo, confirmou a prisão de oito oficiais do Exército. Eles estão detidos no Comando da Artilharia de Paraguarí, a 70 quilômetros ao sul de Assunção. Quatro estariam foragidos. Segundo o ministro da Defesa, Nelson Argaña, filho do vice-presidente Luis María Argaña, assassinado em março, os rumores de golpes são "movimentos de um moribundo". Ele se referia ao general da reserva, Lino César Oviedo, atualmente exilado na Argentina.
Argaña negou que os militares estivessem em condições de dar um golpe militar no país. Todavia, reconheceu que existe este desejo nas Forças Armadas. O ministro da Defesa garantiu que o único oficial superior envolvido no episódio foi o major Agustín Brizuela e que os outros seriam oficiais de menor patente.
Ele garantiu que a Justiça militar está analisando o caso, inclusive rumores de que um grupo de militares intencionava sequestrar o presidente Macchi. O ministro também garantiu que tão logo os quatro militares foragidos sejam presos, divulgará uma nota para tranquilizar o país. O presidente Macchi, que regressou domingo de Havana (Cuba), onde participou da Cúpula Ibero-Americana, disse que os crescentes problemas sociais e políticos que afligem o Paraguai hoje são obra dos partidários do general Oviedo.
A informação do possível golpe foi divulgada na edição do jornal Notícias, de hoje. O jornal envolve o general Oviedo no episódio, além de civis de seu movimento político, a União Nacional de Colorados Éticos. Segundo o Notícias, o golpe também previa a tomada de instituições públicas por parte de civis armados bem como o fechamento das rodovias feito por camponeses. O foco do levante seria o Comando da Artilharia, apoiado por oficiais da Cavalaria, a qual Oviedo pertencia.
Para o ministro Argaña, os oviedistas estão desesperados com a posse do novo presidente da Argentina, Fernando de la Rúa, no dia 10 de dezembro. É que o atual mandatário, Carlos Menem, negou ao governo paraguaio a extradição de Oviedo em setembro passado, medida que De la Rúa promete tomar assim que for empossado.
Analistas garantiram hoje que não existem condições para uma ruptura violenta do regime institucional vigente no Paraguai. O general da reserva Eumelio Bernal, ex-chefe do Estado Maior, disse à rádio ¥anduti que a Artilharia não tem condições materiais para um golpe por causa da precariedade de seu armamento. "Seria uma loucura", resumiu. Para Carlos Martini, analista militar, a inquietação de alguns militares é um fato isolado que não oferece condições para uma rebelião.

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