São Paulo, 5 (AE) - O problema do transporte irregular feito por vans e peruas não se resolve só com fiscalização. "O sucesso passa obrigatoriamente por investimentos em transporte coletivo, com mais corredores de ônibus de qualidade e metrô", afirma o consultor de transportes, Maurício Cadaval. "É indispensável ainda reduzir os custos das empresas de ônibus e as tarifas, ou não vai ser competitivo." Os perueiros poderiam atuar na alimentação dos corredores de ônibus, de linhas mais curtas.
Segundo o sindicato das empresas de ônibus, Transurb, o custo do sistema é de R$ 140 milhões ao mês, mas a receita é de R$ 100 milhões. Segundo o secretário dos Transportes, Getúlio Hanashiro, o subsídio no ano passado foi de R$ 300 milhões. "Mas esse ano fixamos um teto de R$ 11,25 milhões." Ao mesmo tempo, ele diz que este ano está em processo de licitação um novo modelo, que é o sistema tarifado com um mix de linhas boas e ruins e a possibilidade de uso de veículos de menor porte, operados pelas próprias empresas. "Além disso estamos legalizando 4.042 perueiros e organizando o funcionamento."
"Deixaram o sistema de transporte de São Paulo se arrebentar por décadas e não dá para arrumar a curto prazo", diz o diretor-executivo da ANTP, Aílton Brasiliense Pires. Segundo ele, as peruas só poderão circular por mais um ano, considerado por ele o período ideal para a transição. "Depois disso, terão de ser substitituídas por microônibus, com normas de segurança e qualidade respeitadas." Segundo ele, será preciso fazer corredores de ônibus de alto padrão para melhorar a fluidez e dar prioridade à circulação dos coletivos no sistema viário. "É preciso recuperar a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e fazê-la funcionar no padrão do metrô, que também deve ser expandido." A execução de um plano de transporte para a Grande São Paulo é indispensável.

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