Buenos Aires, 11 (AE) - O presidente Carlos Menem declarou que o governo central poderia realizar uma intervenção em Corrientes por causa da grave crise social que assola essa província. O governo argentino já enviou 400 integrantes da Gendarmería, um corpo especial do exército encarregado de vigiar as fronteiras e da repressão de distúrbios sociais.
Situada entre a fronteira com o Paraguai e o Brasil (divisa com o Rio Grande do Sul), a província de Corrientes está à beira da falência: deve US$ 1,5 bilhão, e não consegue novos financiamentos. E não foi por falta de ajuda, já que depois de La Rioja, província natal do presidente Carlos Menem, Corrientes foi a que mais recebeu recursos do governo central. Nos últimos anos, a indústria local praticamente desapareceu, e o comércio interno reduziu-se drasticamente.
O governo central anunciou que não descarta uma ajuda financeira de emergência para Corrientes, mas admitiu que isso só poderia ser realizado com a aprovação do Congresso.
Sessenta mil funcionários públicos estão paralisados porque não recebem seus salários desde fevereiro, metade da polícia provincial está em greve, e centenas de seus integrantes estão acampados na frente do palácio governamental.
Os protestos contra a crise começaram no início da semana, e foram se agravando dia a dia: a Assembléia Legislativa de Corrientes foi tomada por trezentos manifestantes e até o próprio governador, Pedro Braillard Poccard foi apedrejado, escapando ileso.
A crise em Corrientes é só a ponta do iceberg da crise das províncias argentinas. Calcula-se que até o fim do ano o déficit de todas elas chegaria a US$ 2,5 bilhões, o que seria um recorde desde o início do plano de conversibilidade econômica, implantado em 1991. O problema é que para o FMI o governo central prometeu que o déficit das províncias não passaria de US$ 1,7 bilhão.
Embora comparado com o governo central, a situação fiscal das províncias não seja asfixiante, elas foram duramente atingidas pela queda na arrecadação dos impostos da co-participação federal (tributo que é distribuído para todas as províncias). A arrecadação caiu 11,4% em maio deste ano, em relação ao mesmo mês do ano passado. Uma nova lei de distribuição está sendo analisada no Congresso, e prevê a eliminação de impostos que possam desestimular a produção.

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