Governo pode facilitar importações
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domingo, 28 de fevereiro de 1999
Por Denize Bacoccina 
São Paulo, 01 (AE) - O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio Considera, comprometeu-se hoje, em reunião com representantes dos supermercados, a estudar a redução de alíquotas de importação e a liberação do prazo de pagamento de produtos importados. Hoje o pagamento das importações só pode ser feito à vista ou em prazo superior a seis meses. O presidente da Associação Brasileira dos Supermercados (Abras), José Humberto Pires de Araújo, pediu a redução do imposto de importação do leite e derivados, para reduzir o preço do produto nacional.
Considera anunciou também um leilão de 300 mil sacas de café, quarta-feira, além de um leilão de milho, em volume ainda não definido, para aumentar a oferta de produto no mercado e baixar os preços. Conforme um levantamento da Abras, o café subiu de 20% a 30% depois da desvalorização, mas após o primeiro leilão do estoque regulador os preços recuaram e agora o aumento caiu pela metade.
O presidente da Abras acha que os preços ainda vão subir no varejo este mês, mas acredita no recuo a partir de abril. "Grande parte do aumento no atacado já foi repassado e uma parte foi absorvida pelo varejo e não vai chegar aos consumidores", afirma Pires de Araújo. No relatório apresentado pela Abras ao governo estão o aumento de 6% no preço do açúcar, entre 6% e 13% nos produtos de higiene e limpeza doméstica, e entre 10% e 12% no preço da carne.
O mais importante para o recuo dos preços, na avaliação de Araújo, é a sinalização do governo de que vai regular o mercado facilitando a importação. Ele acha que isso faz os produtores nacionais segurarem os preços. A cesta básica, que ontem ultrapassou o valor do salário mínimo, agora tem pouco espaço para subir, segundo ele. Araújo diz que a situação é "lamentável", mas pode ser revertida. "Do mesmo jeito que subiu, vai começar a cair", afirma.


