Governo pode destinar R$ 13 bi para financiar safra, diz Turra
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segunda-feira, 21 de junho de 1999
Por Mariângela Herédia 
Brasília, 22 (AE) - O ministro da Agricultura, Francisco Turra, disse hoje à AGÊNCIA ESTADO que o governo poderá destinar R$ 13 bilhões para o financiamento da safra agrícola 1999/2000, dos quais R$ 11,5 bilhões de custeio e R$ 1,5 bilhão para investimentos. O volume de recursos será anunciado oficialmente pelo presidente Fernando Henrique Cardoso na sexta-feira, às 11h30 no Palácio do Planalto, junto com as outras medidas para a safra.
Turra também pretende convencer o governo a inovar no sistema de crédito rural, adotando uma taxa de juros flexível, que teria um teto prefixado de 8,25% ao ano e seria reduzida sucessivamente à medida que a taxa de juros praticada no País fosse diminuindo.
O volume de recursos da safra e as taxas de juros serão discutidos em almoço amanhã (23) no Ministério da Agricultura com os ministros da Fazenda, Pedro Malan, do Orçamento e Gestão, Pedro Parente e o coordenador político do governo, Pimenta da Veiga.
Hoje Turra teve um encontro com Pimenta da Veiga para reiterar a importância de o governo apoiar a agricultura, setor que ajuda a manter a estabilidade interna dos preços dos alimentos e a conquistar superávits expressivos na balança comercial brasileira.
Os recursos para o programa Novo Mundo Rural, que unirá as linhas de financiamentos para os assentados da reforma agrária e os pequenos agricultores do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) deverão ficar em R$ 3 bilhões.
Limite - No plano agrícola 1999/2000 o governo deverá ampliar o limite de financiamento para o plantio de milho de R$ 150 mil para R$ 200 mil, e também alterar os limites para a soja
que aumentará de R$ 40 para R$ 60 mil e para R$ 100 mil no sul da Bahia, Maranhão e Piauí, a exemplo do que ocorreu na safra passada para a Região Centro-Oeste.
Também deverá ser criado o Proleite, um programa de incentivo à modernização da pecuária leiteira, que terá uma linha inicial de financiamentos de R$ 200 milhões. Outras medidas que o governo pretende anunciar são a prorrogação da isenção do IPI para máquinas e equipamentos agrícolas até junho de 2000 e a redução das alíquotas de importação de fertilizantes.
Estas medidas já estavam em estudo pelo governo e deverão ser incluídas no plano na tentativa de demonstrar o apoio oficial ao setor.
As fontes de recursos para o crédito rural são as mesmas da safra passada, ou seja, o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), a poupança rural e as exigibilidades bancárias - parcela de 25% dos depósitos a vista que deve ser aplicada na agricultura.
Os recursos equalizados pelo governo - que o Tesouro cobre a diferença entre as taxas de mercado e as subsidiadas - ficarão em R$ 4,450 milhões.


