San José, 05 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje que o governo está estudando a concessão de recursos aos bancos nacionais para melhorar as condições de competição com as instituições estrangeiras no leilão de privatização do Banespa. Ao todo, estão pré-qualificados para participar do leilão, marcado para o dia 27 de junho, nove bancos, entre nacionais e estrangeiros.
Sem detalhar a medida, o presidente deixou a entender que a ajuda às instituições financeiras brasileiras poderá ser feita por meio de empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ele antecipou, no entanto, que existem "resistências" dentro do governo, já que o financiamento aos bancos nacionais vai melhorar o potencial dessas instituições na disputa pelo Banespa. A medida é reivindicada pelos bancos nacionais que disputam o Banespa - Bradesco, Itaú, Safra e Unibanco.
Fernando Henrique enfatizou que a ajuda aos bancos nacionais não representará "privilégio". "Privilegiar não é uma palavra que eu goste. Acho que não corresponde ao governo privilegiar grupos privados porque quando o governo privilegia, tira o dinheiro do Tesouro, isto é, do povo, para dar a um grupo. Qual a base moral que eu tenho para fazer isso?", afirmou durante entrevista coletiva hoje no intervalo do encontro que manteve com presidentes de oito países da América Central e Caribe, na capital da Costa Rica.
Na opinião de Fernando Henrique, outra coisa seria equalizar as condições de competição entre os bancos nacionais e estrangeiros. "Isso o governo sempre esteve disposto a estudar, mas sem privilégios", ressaltou. O presidente acrescentou que a área econômica está estudando "para ver se existe a possibilidade de fazer alguma equalização". Mesmo assim, ele adiantou que existem resistências. "Mesmo isso (equalizar as condições de competição) significa transferência de recursos", assinalou.
Fernando Henrique acrescentou que se a equalização for feita por meio de empréstimos do BNDES, não haverá transferência direta de recursos do Tesouro Nacional, mas a participação dos bancos nacionais será facilitada. "Ainda estão examinando essa possibilidade e eu ainda não vi os resultados dos estudos técnicos", afirmou o presidente, sem dar meiores detalhes.
Energia - O presidente também enfatizou hoje a importância da retomada da privatização das geradoras de energia elétrica no Brasil. Segundo ele, essa é a única forma de aumentar os investimentos no setor, fundamental para sustentar a retomada do crescimento econômico.
A quebra do monopólio estatal nas áreas de energia e comunicações foi um dos assuntos tratados durante a visita de dois dias de Fernando Henrique à Costa Rica. Neste país, foi encerrada hoje, temporariamente, uma onda de greves de trabalhadores em protesto à privatização desses dois setores.
"Quando os governos não têm recursos para atender à demanda pelos serviços básicos, não quer aumentar os impostos e nem reduzir o salário mínimo, o jeito é privatizar", afirmou o presidente. A expansão dos serviços de telefonia celular e fixo foi citada pelo presidente como um dos benefícios da privatização. "Espero que daqui por diante as tarifas dos serviços telefônicos também caiam como caíram os preços de aquisição das linhas telefônicas", afirmou Fernando Henrique.
Lama - O presidente disse que o Brasil "cansou de tanta lama, corrupção e sujeira e de falta de atitude enérgica para punir os responsáveis", ao comentar declarações dadas pelo ex-ministro Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, e publicada hoje nos jornais. Pelé afirmou que tem vergonha do Brasil e que este não é mais um bom país para morar com filhos e netos. Pelé fez essas afirmações ao condenar as suspeitas de fraudes que teriam sido cometidas pelas escolinhas de futebol do Santos Futebol Clube.
"A sensação do Pelé é a de um cidadão brasileiro. Eu sou presidente, mas também sou cidadão. Todos nós, cidadãos brasileiros, queremos que o mais depressa possível sejam viradas essas páginas, não dos jornais, porque os jornais são obrigados a noticiar os fatos. E existem fatos positivos que são obscurecidos", desabafou o presidente. Concluindo, ele afirmou que é necessário "uma atitude mais firme de repúdio a tanto horror perante os céus".

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