Buenos Aires, 22 (AE-AP) - O governo do presidente Fernando de la Rúa pediu hoje à Confederação Geral do Trabalho (CGT), controlada pelo peronismo, que suspenda a greve geral marcada para quinta-feira. A CGT protestará contra o projeto de reformas da legislação trabalhista, que começa a ser discutido no mesmo dia no Congresso.
Ontem a central insistiu na paralisação mas um grande número de sindicatos pressiona a cúpula da CGT para negociar com o governo. Os setores mais radicais querem a medida de força porque entendem que o projeto do governo pretende enfraquecer o movimento sindical. Um dos pontos do projeto é o de descentralizar a negociação dos contratos coletivos, aumentando a participação dos sindicatos de fábrica e regionais. Isso tiraria o poder de barganha da CGT.
O ministro do Trabalho, Alberto Flamarique, pediu hoje à CGT que reconsidere a medida e disse que o movimento da quinta "juntará pouca gente na Praça de Maio". O setor mais duro da central, representado por Hugo Moyano, dirigente dos caminhoneiros, defende que a greve não deve ser suspensa, apesar da continuidade das negociações.
Juan José Zanola, sindicalista ligado aos bancários e que defende o diálogo, afirmou que se o governo aceita mexer em alguns pontos do projeto "a greve não ajudará ninguém". Todavia, o vice-presidente Carlos Alvarez disse que os pontos mais importantes não serão negociados com os trabalhadores.
O governo aposta que seu projeto, cujo propósito seria o de criar novos empregos, reduzir o nível de desocupação e legalizar a situação dos trabalhadores sem registro, passa com facilidade na Câmara dos Deputados. Sabe, no entanto, das dificuldades que ele terá no Senado, controlado pelo peronismo.

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