Governo paraguaio garante que Oviedo não está no país
Assunção, 11 (AE-AP) - O governo do Paraguai levantou hoje (11) o estado de alerta militar imposto na quarta-feira, convencido de que o ex-general golpista Lino Oviedo não se encontra em território paraguaio. Segundo o secretário-geral do Palácio do Governo, Juan Ernesto Villamayor, o presidente Luis González Macchi tomou tal decisão "porque existe absoluta calma no país e porque o fugitivo Oviedo não conseguiu entrar no território nacional".
Oviedo, asilado na Argentina, conseguiu fugir da guarda da polícia federal e desde então seu paradeiro é desconhecido. Circularam versões de que ele teria viajado clandestinamente para o interior do Paraguai, mas o governo as desmente.
Villamayor disse hoje acreditar que Oviedo está no povoado argentino de Anillaco, local de nascimento do ex-presidente argentino Carlos Menem. O secretário acrescentou que suspeita que Oviedo teria chegado no povoado "sob a proteção de Menem".
Macchi, que retornou ontem de Buenos Aires, onde participou da cerimônia de posse de Fernando de la Rúa, disse à imprensa que as declarações feitas por Oviedo à uma emissora de televisão norte-americana "não são verdadeiras".
Na entrevista, concedida à TV CBS por telefone celular via satélite, o ex-militar disse que está em território paraguaio e anunciou sua intenção de chegar à presidência. "Estou no Paraguai", disse Oviedo. "Serei presidente do Paraguai e lutarei contra a corrupção e o tráfico de drogas."
O ex-golpista de 56 anos é procurado no Paraguai em conexão com o assassinato do vice-presidente Luis María Argaña, em março
que levou às manifestações em massa que culminaram com a renúncia do presidente Raúl Cubas, aliado do militar. Oviedo chegou a ser sentenciado a 10 anos de prisão por sua fracassada tentativa de golpe em 1996.
À rede CBS, Oviedo disse que seu país está sendo governado por um regime anticonstitucional e seu dever é "fazer com que sejam realizadas eleições nacionais" para a "retomada da democracia". "Estou dentro do território nacional, com meus queridos compatriotas, meus irmãos camponeses, com os marginalizados, e vamos trabalhar juntos para recuperar a democracia", assinalou.
Embora tenha dito estar no Paraguai, em certo momento da entrevista, Oviedo pareceu trair-se. Ele convidou o repórter a "ir" para o Paraguai e não a "vir" , expressando-se como se estivesse fora do território paraguaio.
Paraguai e Argentina travaram uma dura disputa diplomática desde que Menem rejeitou um pedido de extradição de Oviedo. De la Rúa manifestou hoje, em seu primeiro dia de atividade oficial
seu interesse em saber o que aconteceu com Oviedo. O presidente instruiu seu ministro do Interior, Federico Storani, para "averiguar tudo que puder".





