Belém, 09 (AE) - O governador em exercício do Pará, Hildegardo Nunes (PTB), ofereceu um avião do governo para levar líderes dos produtores de cana-de-açúcar e funcionários da usina Abraham Lincoln até Brasília, onde irão negociar com o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, a liberação de verbas para pagamento de dívidas e salários atrasados.
Em troca da cessão do avião para a viagem, o governador exige a libertação de quatro deputados estaduais mantidos como reféns desde ontem (08)- José Geraldo Torres (PT), Pio X (PTB), Cláudio Almeida (PDT) e José Lima (PMDB). A usina é administrada há 17 anos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma, mas neste ano está vivendo sua pior crise.Em protesto contra a falta de pagamento, canavieiros e servidores do Incra bloqueiam há 11 dias a rodovia Transamazônica.
Nunes disse que não vai mais tolerar a posição do Incra no caso. "Há muitos anos que uma solução para o problema da usina é adiada. Os recursos para a usina figuram todos os anos no orçamento da União, mas nunca são liberados". Em Brasília, o prefeito de Medicilândia, Francisco Aguiar, deveria ser recebido hoje à tarde pelo ministro de Política Fundiária. "Só deixo Brasília com uma solução. Não dá mais para aguentar tantas promessas e nenhuma providência concreta".
A agência do Banco do Brasil em Medicilândia também foi fechada pelos manifestantes, que despejaram na porta toneladas de cana. Hoje os manifestantes prometiam invadir e ocupar a sede do Incra em Altamira para forçar o governo federal a tomar uma decisão.
Reféns - A decisão de manter os deputados como reféns foi tomada antes mesmo de o avião do governo chegar a Medicilândia. "O problema não é ficarmos reféns, porque entendemos que eles têm razão no protesto que estão fazendo. O que nos preocupa é a possibilidade de violência", resumiu José Geraldo.
O deputado Cláudio Almeida contou, por telefone, que muitos caminhoneiros, impedidos de seguir viagem com cargas para São Paulo, Minas e Goiás, ameaçam entrar em choque com os canavieiros. Hoje um grupo de caminhoneiros decidiu bloquear o km 4 da Transamazônica, no sentido de Itaituba. A interdição prejudica o tráfego de veículos entre os municípios de Brasil Novo e Vitória do Xingu.

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