Governo obtém ágio médio de 20% em leilão de álcool
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quinta-feira, 09 de dezembro de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 09 (AE) - O governo conseguiu hoje um ágio médio de 20% no primeiro leilão de álcool hidratado para reduzir o preço do produto no mercado interno. Ao longo de quase cinco horas foram vendidos para distribuidoras de combustíveis pelo sistema eletrônico do Banco do Brasil 60 milhões de litros de álcool, o que representou uma arrecadação de R$ 24,302 milhões. A estimativa de assessores do Ministério da Agricultura é que este álcool já esteja no mercado em 20 dias.
O maior volume de álcool foi vendido em São Paulo, onde foram ofertados 38,5 milhões de litros. Houve também ofertas em Minas Gerais (8,5 milhões de litros), Rio de Janeiro (5 milhões de litros), Santa Catarina (4,5 milhões) e Distrito Federal (3,5 milhões). O preço mínimo dos lotes variaram de R$ 0,330 o litro (em São Paulo) a R$ 0,357 o litro (em Santa Catarina). O valor médio de venda do litro nos 21 lotes chegou a R$ 0,405.
A estratégia do governo é promover leilões semanais para aumentar a oferta do produto no mercado e forçar a redução dos preços do álcool hidratado (usado como combustível) e anidro (que é adicionado a gasolina). A expectativa é que ocorra um novo leilão no dia 15 de dezembro, com a venda de mais 60 milhões de litros. A informação não é confirmada oficialmente pelo governo, que tem um estoque regulador de 2 bilhões de litros.
O leilão de álcool foi anunciado no meio de novembro pelo secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Márcio Fortes de Almeida. O objetivo é forçar a queda dos preços. Além destas medidas, o governo também anunciou em novembro que não iria mais financiar a estocagem de álcool pelos produtores e não iria renovar os contratos em vigor. Com essa medida um total de 340 milhões de litros de álcool entrariam no mercado este mês.
Desde o dia 1º de novembro, quando acabou o subsídio ao álcool hidratado (combustível), o preço do produto na bomba teve aumentos de até 50%, quando o governo espera no máximo um reajuste de 10%. O preço da gasolina, que tem a adição de 24% de álcool anidro, também foi reajustado, sendo que o subsídio não foi alterado. "É inaceitável este aumento especulativo nos preços do álcool", afirmou na época o ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho.
O governo também ameaçou os produtores de voltar a importar álcool e introduzir combustíveis alternativos no País. Semana passada, Almeida solicitou ao diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbrsztajn, as providências necessárias junto ao Ministério do Meio Ambiente para renovação da autorização de uso da mistura MEG (metanol, etanol e gasolina) como combustível. Até 1997, o governo autorizou o uso deste combustível no País, inclusive em São Paulo.
Na prática, explicou um técnico do governo, o conselho estava advertindo os produtores de álcool para reduzirem seus preços, sob o risco de haver uma superoferta do produto no mercado. As medidas anunciadas significaram uma volta atrás nas decisões tomadas nos últimos anos para estimular a produção de álcool no País e tirar o setor sucro-alcooleiro do risco de colapso pelo excesso de oferta.


