Nova York, 28 (AE-AP) - A administração Clinton desenvolveu um plano para um amplo sistema de monitoramento de computadores, supervisionado pelo FBI para proteger as redes de dados cruciais contra invasores, informou nesta quarta-feira (28) o jornal The New York Times.
O plano, um derivado do programa antiterrorismo do governo, já despertou preocupações por parte de grupos de defesa das liberdades civis, segundo o diário.
Uma minuta do plano, que seria implementado em 2003, requer um sistema de software sofisticado para monitorar atividades de redes não-militares do governo e um sistema separado para acompanhar as redes usadas nos setores bancário, de telecomunicações e transporte.
"Nossa preocupação com os ataques cibernéticos organizados aumentou drasticamente", disse, na terça-feira, Jeffrey Hunker, diretor de proteção a informações do Conselho de Segurança Nacional, que está supervisionando o plano.
"Sabemos da existência de uma série de governos estrangeiros hostis que estão desenvolvendo instrumentos bem-organizados para ataques cibernéticos e temos boas razões para acreditar que os terroristas podem estar desenvolvendo ferramentas semelhantes", afirmou ele ao Times
A medida - cujos detalhes ainda estão sendo debatidos dentro do governo, segundo o jornal - pretende alertar as autoridades policiais para ataques que podem prejudicar seriamente as operações governamentais ou a economia do país.
Tal sistema destina-se a permitir aos especialistas do governo seguir o rastro de "padrões de padrões" de informação e reagir de uma forma coordenada contra invasores e terroristas, informou o The New York Times.
O departamento da Defesa começou a instalar esse sistema há três anos. Como parte do plano, redes de milhares de programas de monitoramento de software acompanhariam constantemente as atividades dos computadores, buscando indícios de invasões na rede de computação e de outros atos ilegais.
Mas por causa do crescente poder dos computadores no país e seu emergente papel como a espinha dorsal do comércio, política e cultura da nação, os críticos do sistema que está sendo proposto dizem que este poderá se transformar em um bloco construtor para uma infra-estrutura de vigilância com grande potencial para uso indevido.
Eles argumentam que a própria rede de monitoramento poderá estar aberta a violações da segurança, possibilitando a intrusos ou usuários não-autorizados uma grande janela para penetrar nos sistemas de computador das empresas e do governo, informou o jornal.

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