Brasília, 31 (AE) - O governo vai negociar limites para as investigações de supostas irregularidades no sistema financeiro. O temor do Palácio do Planalto e do Ministério da Fazenda é de que a investigação se alastre e afaste o capital estrangeiro. "Internamente, não vemos problema com a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dos Bancos porque o sistema está sólido e não correria riscos de perda de credibilidade; mas
a nível internacional, as investigações são totalmente inconvenientes", avaliou uma autoridade do governo.
Os principais líderes do PMDB assumiram o compromisso de controlar o alcance das investigações, que focalizariam casos específicos do relacionamento do Banco Central (BC) e alguns bancos (liquidados, como o Marka) e o contexto da desvalorização do real, sob suspeita de vazamentos ao mercado.
"Vamos restringir a CPI ao Senado; na Câmara, não haveria como conter um estouro", disse o presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), autor da proposta da CPI dos Bancos.
Hoje, o BC anunciou que divulgará na próxima semana os resultados da investigação sobre o comportamento de alguns grandes bancos no mercado de câmbio, considerados suspeitos pelo deputado Aloízio Mercadante (PT-SP) e vários parlamentares. A investigação do BC vai mostrar que não houve manipulação ou provas de vazamentos, segundo uma fonte do governo.
As autoridades do governo, entre elas o presidente Fernando Henrique Cardoso, vêm participando da estratégia de sinalizar a necessidade de limites para as investigações sobre o sistema financeiro. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, numa solenidade pública ocorrida hoje, disse que o governo tem respostas para todas as perguntas formuladas pelo requerimento da CPI dos Bancos. Ele alertou que o impacto sobre a economia "vai depender da maneira pela qual sejam conduzidos os trabalhos no Congresso".
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), também teve importante papel na articulação dos bastidores para evitar a explosão das investigações, argumentando contra uma CPI mista. Ele vem defendendo que uma CPI das duas Casas paralisaria os trabalhos na Câmara e no Senado, atrasando votações e reformas importantes, como a tributária e a do Judiciário. Na prática, ele está preocupado com eventual ônus político do partido, caso o País sofra fuga de capitais por causa da CPI.

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