Governo negocia retirada de invasores
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quarta-feira, 09 de julho de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - As cerca de 35 famílias de trabalhadores rurais sem-terra que ocuparam a Fazenda Palmeira, a 25 quilômetros de Reserva, região central do Estado, no início de junho, podem deixar a área ainda esta semana. A Polícia Militar (PM), por determinação da Secretaria de Estado da Segurança Pública, começou, ontem, a operação de desocupação da área, que teve mandado de reintegração de posse expedido pelo Juízo de Reserva em favor do proprietário, Renato Antônio Yamasita.
Ontem pela manhã, cerca de 50 policiais em sete viaturas acompanharam um oficial de Justiça, que fez a leitura da citação do mandado de reintegração de posse da fazenda e de um documento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que aponta que a área é produtiva e inadequada para assentamentos agrários. Segundo o governo, os sem-terra pediram mais um dia de prazo, mas prometeram sair pacificamente da área.
Na época da ocupação, o advogado Jaudê Ricardo Loures Rocha declarou que uma das preocupações do dono da fazenda era de que a ocupação comprometesse o cronograma de obras do projeto ''Pousada Escola''. Segundo Loures Rocha, seria uma proposta pioneira de um trabalho pedagógico na área de cultivo de produtos orgânicos (sem uso de agrotóxicos).
Ontem, o procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, esteve reunido com representantes da madeireira Araupel, que teve parte de sua fazenda, no sudoeste do Estado, invadida por trabalhadores rurais sem-terra, de 1996 a 1999. O não cumprimento da decisão judicial de reintegração de posse resultou no pedido de intervenção federal no Paraná, por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Lacerda disse que foi uma primeira conversa com os representantes da empresa para expor a disponibilidade do governo em achar uma solução para o impasse. O procurador informou que a Polícia Militar está providenciando um levantamento das áreas invadidas e já desapropriadas pelo Incra para saber a quantidade de famílias que precisam ser relocadas. Lacerda informou, ainda, que o acórdão do STJ ainda não foi publicado. ''Pode ser que a decisão não tenha considerado essa desapropriação já feita pelo Incra'', avaliou. Segundo o procurador, cerca de 400 famílias ainda estariam em situação irregular.


