Rio, 25 (AE) - O diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, confirmou hoje que o governo está negociando a flexibilização das metas acertadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI), entre elas o piso de reserva líquida em dólar do banco. A intenção do governo é caminhar para um modelo que priorize o sistema de metas de inflação como balizador do desempenho econômico do País.
"Na última revisão, isso já estava implícito no próprio memorando que o fundo elaborou", disse. Segundo ele, essa é uma tendência natural das negociações com o FMI. "O Brasil cumpriu absolutamente todas as metas acordadas com o fundo e é normal que a flexibilização esteja cada vez mais presente nas conversas", justificou. O diretor não quis adiantar os detalhes da negociação, mas afirmou que as conversas já estão em fase adiantadas. Figueiredo participou hoje da cerimônia de comemoração dos 20 anos do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), promovida pela Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto (Andima).
A flexibilização das metas daria maior munição ao Banco Central para intervir no mercado de câmbio, principalmente, agora que o dólar rompeu a barreira dos R$ 2,00 e pode ter efeito negativo sobre a inflação. "Até quando os empresários vão conseguir assimilar a alta do câmbio e não repassá-la aos preços", questionou uma fonte do governo. "Essa é nossa maior preocupação atual", sentenciou.
Figueiredo admitiu que o BC teria mais liberdade para operar no mercado de câmbio se as metas com o FMI fossem reavaliadas. Segundo ele, as atuais amarras impõem limites às operações cambiais. Mas argumentou que não faltam instrumentos para que a instituição possa influenciar o comportamento do mercado de câmbio. "Uma coisa é a capacidade do BC intervir, a outra é se ele vai fazer isso ou não", explicou o diretor. "Posso dizer claramente que o BC tem todos os mecanismos para intervir quando julgar necessário." Figueiredo adiantou que a instituição planeja divulgar regularmente relatórios ao mercado com informações sobre o desempenho de indicadores que influenciem diretamento o mercado de câmbio, como o volume das reservas líquidas. O banco estuda também a divulgação de uma taxa de câmbio referencial para o mercado fechar suas operações ao longo do dia.
O chefe do Departamento de Mercado Aberto do Banco Central (BC), Eduardo Nakao, adiantou que a taxa seria divulgada várias vezes por dia com base na média das negociações acompanhadas pela autoridade monetária. O objetivo é dar parâmetro e diminuir as distorções na hora do fechamento de um contrato. É que as instituições tomam como parâmetro a taxa média de câmbio do dia anterior, chamada de Ptax, e embutem uma projeção para o dia. "O que nós queremos é que depois de ganhar credibilidade o mercado use uma dessas taxas para fechar suas operações", explicou Nakao.
Secundário - O diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, anunciou que o governo vai divulgar nos próximos 15 dias um conjunto de ações para estimular o mercado secundário de títulos públicos. O projeto está sendo estudado há quatro meses pelo BC.
Segundo ele, o projeto é importante para que o governo consiga alongar o perfil da dívida pública e administrá-la de forma mais barata e eficiente. Ele adiantou que estão sendo estudados dar maior transparência e liberalização nas operações financeiras, a concentração de forma "prudente" dos vencimentos de papéis e a garantia de maior previsibilidade no cronograma de emissões de títulos públicos. As ações, ressaltou, deverão trazer uma mudança na relação do BC com seus dealers (instituições financeiras autorizadas pela autoridade monetária a atuar como mediadores entre ela e o mercado). A pretensão é cobrar deles uma postura de "market makers". De acordo com o diretor, o BC e o Tesouro publicarão mensalmente um relatório sobre a negociação destes títulos.

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