Governo nega versão da CPT
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terça-feira, 04 de maio de 1999
Da Redação 
A Secretaria de Estado da Segurança Pública contestou ontem a matéria Pastoral acusa PM de torturar sem-terra publicada sábado na Folha. Nela, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) acusou a Polícia Militar de torturar membros do MST, durante a desocupação da Fazenda Santa Maria, em Ortigueira, no dia 29 de abril.
Diz a nota que um grupo de 23 PMs acompanhou os oficiais de justiça na operação, resultando na retirada de 28 homens e prisão de seis por cárcere privado, porte de arma, formação de quadrilha, furto e esbulho.
Na fazenda, os oficiais de justiça leram o mandado, instando-os a deixar o local. De acordo com o relatório, os sem-terra concordaram em deixar a propriedade pacificamente. Os oficiais de justiça e a PM encontraram a família do administrador Nelson Bataglia, que era mantido como refém. Eles apreenderam diversas armas e ferramentas de trabalho.
Bataglia informou que no dia 26 de abril a casa dele foi tomada com violência pelos sem-terra. Ele também os acusou de ter furtado dois tratores. Os PMs deram voz de prisão a seis pessoas que se apresentaram como responsáveis pelo grupo. Na delegacia, eles utilizaram-se do direito de falar somente em juízo.
Nos exames de lesões corporais foram constatadas lesões por instrumento contundente em Valdecir Bordignon e Lourival Lesse. Os peritos disseram que tais lesões não não foram produzidas por tortura ou por outro meio insidioso e cruel. concluiu a nota.
Terra Rica A secretaria informou ontem que não houve prisões de sem-terra durante a desocupação da Fazenda São Joaquim, em Terra Rica, anteontem. Um policial militar informou a prisão de 17 sem-terra durante a operação.
Segundo a PM, pelo menos 90% dos sem-terra deixaram o acampamento da São Joaquim no domingo. Um grupo de aproximadamente 30 pessoas decidiu ficar na área e no domingo de noite realizaram disparos de armas de fogo. O proprietário da fazenda, Joaquim Miranda Granja pediu proteção policial para retomar a posse da área, que tem 386 alqueires e foi considerada produtiva durante vistoria.


