Governo nega responsabilidade sobre ponte no PR
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segunda-feira, 11 de abril de 2005
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A comunidade de União da Vitória, no Sul do Paraná, não sabe a quem cabe resolver um problema que tem atormentado a região: a má conservação da Ponte Manoel Ribas, sobre o Rio Iguaçu, na BR-476. Uma avaliação preliminar da Prefeitura Municipal de União da Vitória apontou que a ponte tem desvio de prumo em um pilar, uma rachadura grande na viga de sustentação e rebaixo em um dos pilares.
A questão é que não se sabe se é o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER) ou o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) o responsável pela conservação da rodovia. No final de 2002, o governo Fernando Henrique Cardoso editou a Medida Provisória (MP) 82, que transferia a administração de parte da malha rodoviária federal para governos estaduais - entre estes trechos, a BR-476, na região de União da Vitória.
Entretanto, a Procuradoria Geral do Estado não reconhece a validade de tal transferência, pois a MP não teria sido convertida em lei. Segundo a assessoria de imprensa do DER, em fevereiro, foi enviado comunicado ao Ministério dos Transportes para relatar esse entendimento.
O Dnit sustenta, entretanto, que os trechos previstos estão sob responsabilidade do governo do Paraná. ''A administração estadual responde pela ponte desde 1º de janeiro de 2005, conforme o cronograma de transferência'', alegou Gilberto Massucheto, superintendente do Dnit na região de União da Vitória.
O secretário Municipal de Planejamento de União, Jamar Rossoni Clivatti, informou que a prefeitura contratou um perito para avaliar tanto a Ponte Manoel Ribas quanto outra localizada no lado oposto da cidade e que também passa sobre o Rio Iguaçu. ''Pelo que vimos, a situação da Manoel Ribas é mais complicada. O perito vai fazer um laudo e caso os problemas sejam confirmados, vamos requisitar a interdição da ponte ao Ministério Público Federal'', garantiu o secretário.
Desde a última sexta-feira, caminhões com mais de 45 toneladas estão proibidos de passar pela segunda ponte. O engenheiro do DER no Escritório Regional do Médio Iguaçu, Fernando Hélio Martins, disse que tal medida faz parte de um ''monitoramento de rotina''.
''Foi constatado que há uma pequena diferença de nível nos vãos metálicos da ponte. Vamos avaliar para ver se isso oferece risco ou não. O monitoramento vai até quarta ou quinta-feira'', explicou ele. A Polícia Rodoviária Estadual está coordenando o tráfego de caminhões antes da ponte. Os veículos mais pesados estão sendo desviados pela BR-153 até Santa Catarina.
Também está havendo restrições à circulação de veículos no Viaduto do Caruru, na BR-277, na Serra do Mar. A assessoria de imprensa da concessionária Ecovia informou que, numa inspeção de rotina, foi constatado que havia uma trinca numa viga do viaduto. A pista no sentido Curitiba-Paranaguá foi interditada completamente na altura do quilômetro 43 e o desvio está sendo feito pela outra pista.
As obras para resolver o problema serão feitas em duas fases. Na primeira etapa, que deve ser concluída dentro de algumas semanas, o objetivo é liberar meia pista. Na segunda fase, a estrutura será reforçada. A previsão é de que todo o processo demore cerca de 60 dias.


