O governador do Pará, Almir Gabriel (PSDB), anunciou ontem que não vai dar o aumento salarial reivindicado pelos policiais civis e militares. Eles devem entrar em greve hoje. Os policiais planejam fazer uma manifestação em frente ao Palácio do Governo, em Belém, como a que os policiais de Belo Horizonte (MG) fizeram na semana passada.
A Secretaria Estadual de Segurança Pública informou que não preparou nenhum esquema especial de segurança. Gabriel, em entrevista coletiva, disse que prefere ‘‘trabalhar com a hipótese de que a greve não vai ser deflagrada’’. A greve seria decidida ontem à noite em assembléia. ‘‘O governador se recusou a nos atender e a paralisação é irreversível’’, disse o tenente da PM Luiz Fernando Gomes Furtado, presidente da Associação da Polícia Militar do Pará (APM).
Gabriel disse que é impossibilitado de reajustar os salários por causa da Constituição, que estabelece limite de 65% da receita líquida para pagamento de pessoal. ‘‘O governo estadual é obrigado a cumprir a Constituição e as leis’’, afirmou.
O governador disse ainda que esperava negociação ‘‘indireta’’ com os policiais, oferecendo vale-refeições, lotes de terreno, casa própria, pecúlio e seguros aos policiais. Os sindicatos e associações dizem que rejeitam qualquer promessa não assinada em decreto e que preferem aumento salarial. Os PMs querem 70% de aumento e os civis pedem 75%. Furtado, um dos organizadores da greve, disse que ele e o capitão Silva Júnior (diretor da APM), que trabalhavam no 12º Batalhão da PM em Santa Isabel (Grande Belém), foram transferidos há cinco dias para cidades distantes no interior do Pará como ‘‘punição’’ por organizarem o movimento.
Furtado foi mandado para Xinguara (800 quilômetros de Belém) e Silva Júnior para Parauapebas (650 quilômetros de Belém). Ambos se negaram a ir e permaneceram em Belém fazendo a panfletagem da greve. Pelo regulamento da PM, deverão cumprir 30 dias de prisão quando retornarem ao trabalho. Os policiais em greve devem usar capuzes pretos para não serem identificados. O tenente Furtado disse que espera uma manifestação ‘‘pacífica’’.
Uma informação dos organizadores da greve não confirmada pelo governo estadual dava conta de que Gabriel pediu tropas do Exército de Belém para garantir sua segurança e para acompanhar a manifestação dos policiais. Minas Gerais - A assessoria do governador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) informou ontem que o governo mineiro ‘‘orientou’’ os comandantes dos batalhões da Polícia Militar em Belo Horizonte para que não promovam ‘‘retaliação genérica’’ na apuração dos responsáveis pela rebelião na PM mineira ocorrida no mês passado.
A manifestação do governo mineiro foi feita em função das declarações da promotora da Justiça Militar Maria Solange Ferreira de Morais, que está prevendo que pelo menos 1.300 PMs podem ser indiciados. Foram instaurados 17 IPMs (Inquérito Policial Militar), que estão sendo presididos pelos comandantes dos batalhões.

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