Brasília, 19 (AE) - O governo nega que a instalação do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) tenha sido apressada em razão das recentes denúncias de invasão do território brasileiro por grupos terroristas. Segundo a Polícia Federal, membros do grupo maoísta Sendero Luminoso, do Peru, estariam infiltrando-se entre sem-terra ligados à Liga Operária Camponesa (LOC), em Machadinho DOeste (RO).
De acordo com o ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg, o governo já havia decidido investir na Amazônia há pelo menos dez anos, por meio de um programa de atendimento à população da fronteira. Com o Sivam, os recursos para essa área foram reajustados e são utilizados principalmente em pequenas obras de infra-estrutura nas cidades fronteiriças.
"Esse é um programa que vem sendo desenvolvido para ajudar a população e não por causa da ação de guerrilheiros", diz o ministro. "Não temos confirmação de que realmente os grupos estão no Brasil". Hoje, uma das principais preocupações do governo, além das fronteiras, é com a biopirataria. Segundo estimativas de biólogos, existem entre 5 milhões e 30 milhões de espécies na Amazônia - e só 1,4 milhão delas estão descritas. São cerca de 750 mil insetos, 40 mil vertebrados, 250 mil plantas e 360 mil espécies diversas.
No Brasil, há 2,8 mil espécies de madeiras, distribuídas em 870 gêneros e 129 diferentes famílias botânicas. Cerca de 260 desses tipos têm algum valor econômico e 50 são comercializados em volumes significativos. (E.L.)

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