Brasília, 30 (AE) - O governo negou hoje que o acordo firmado na quinta-feira com representantes de caminhoneiros na última quinta-feira - e que pôs fim à greve nacional da categoria - incluiu a manutenção dos preços do óleo diesel nos dias atuais. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, afirmou que essa reivindicação não foi referendada pelos termos do protocolo firmado entre as duas partes.
"O que houve foi uma informação repassada aos caminhoneiros pelo ministro dos Transportes, Eliseu Resende, de que não ocorreria o reajuste programado para hoje", afirmou Bier. O porta-voz da presidência da República, embaixador Georges Lamazire, também afirmou que a suspensão do reajuste dos preços do óleo diesel não fez parte do acordo. "O Palácio do Planalto não está tratando desse assunto, de alçada dos ministérios da Fazenda e de Minas e Energia", acrescentou.
Bier admitiu, no entanto, que o governo está estudando como serão os próximos reajustes de combustíveis. "Mas, por enquanto, não há nenhuma decisão", afirmou. Ele informou que ainda há uma defasagem nos preços, apesar dos sucessivos reajustes concedidos neste ano. Segundo Bier, o aumento acumulado de cerca de 50% nos seis primeiros meses deste ano é insuficiente para cobrir os custos, baseada na variação dos preços do petróleo no mercado internacional e da taxa cambial, que subiram, respectivamente, 100% e 40%, no mesmo período.
Sem revelar em quanto os preços dos combustíveis serão reajustados nos próximos meses, Bier se limitou a informar que "o governo não estuda nenhum reajuste da magnitude da defasagem dos custos". Ele negou também que o governo esteja pensando em mudar os dois critérios básicos que nortearam os percentuais de reajustes até agora - os preços internacionais e a variação da taxa cambial - para incluir um subsídio indireto no preço do óleo diesel custeado por um aumento maior no valor da gasolina cobrado dos consumidores.
Bier acrescentou que o País terá condições de cumprir as metas fiscais assumidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI), independentemente da evolução dos preços dos combustíveis. O acordo firmado entre o governo brasileiro e o Fundo prevê que os combustíveis vão contribuir com R$ 5 bilhões para o saldo positivo de cerca de R$ 30 bilhões nas contas de todo o setor público neste ano. Esses R$ 5 bilhões seriam obtidos por meio da conta-petróleo. Esse mecanismo permite que a Petrobrás devolva ao Tesouro Nacional os subsídios dados no passado pelo governo federal aos preços dos combustívies.

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