Governo não vê necessidade de criar novo imposto, afirma Malan
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domingo, 20 de junho de 1999
Por Gisele Regatão, especial para a Agência Estado 
Nova York, 21 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse hoje em Nova York que o governo não estuda nenhuma alternativa de aumento de impostos para o ano 2000, apesar de reconhecer que será difícil alcançar a meta de superávit primário de 2,6% do PIB no ano 2000, fixada em acordo com o Fundo Monetário Internacional. Segundo o ministro, o governo está trabalhando com a possibilidade de realizar a reforma tributária rapidamente e implantar uma série de medidas para cortar gastos. "Não vemos a necessidade da criação de nenhum novo imposto", afirmou.
Durante entrevista coletiva à imprensa, Malan foi perguntado sobre a preocupação do governo brasileiro quanto ao déficit comercial, principalmente em relação à declaração da França de não abrir o seu mercado para importações agrícolas. Ao responder, o ministro reiterou o compromisso firmado com os chefes do governo do Mercosul, Chile e Bolívia há duas semanas em Assunção, de que é inadmissível a exclusão de qualquer produto em acordos de abertura comercial. "Nós não aceitaremos de forma nenhuma a decisão de qualquer país específico de fechar o seu mercado para nossas importações agrícolas", afirmou.
Ao contrário do presidente argentino, Carlos Menem, que em visita a Nova York há uma semana falou sobre a possibilidade de dolarização do Mercosul, o ministro Pedro Malan disse acreditar que essa não é uma solução possível. Segundo ele, apenas alguns países pequenos, como o Panamá e Libéria, conseguiram dolarizar suas economias. "A dolarização seria um processo muito complicado e impossível de fazer sem uma negociação com o governo norte-americano no caso de uma economia grande como a brasileira", disse.
O ministro reconheceu, porém, que a região deverá partir no futuro para a adoção de uma moeda única. De acordo com ele, esse processo deve levar menos de duas décadas, que foram necesárias na União Européia, mas também não acontecerá em três ou quatro anos. Malan afirmou que existem passos para serem dados neste caminho, como, por exemplo, a fixação de taxas de câmbio entre os países. Ele acredita que a nova moeda terá um novo nome e terá, provavelmente, taxa flutuante em relação ao dólar.


