Governo não vai impedir bloqueio de arrozeiros no RS
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quinta-feira, 05 de agosto de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 6 (AE) - O governo federal não vai impedir o bloqueio da ponte internacional entre Uruguaiana (RS) e Paso de Los Libres, na Argentina, programado pelos arrozeiros gaúchos para o próximo dia 10, disse hoje o ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes. Ele ressalvou, entretanto, esperar que o "bom senso" prevaleça e que a fronteira não seja fechada. "Não aprovo medidas extremas, mas os produtores têm o direito de manifestar sua preocupação e seu desencanto", disse o ministro.
O protesto, organizado pela Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz), pretende impedir a importação de arroz argentino que está provocando a queda acentuada das cotações do produto brasileiro nas últimas semanas. Pratini afirmou que a "agropecuária brasileira precisa ser defendida", mas defendeu uma saída negociada para o problema dos arrozeiros de maneira a não "arranhar" o Mercosul nem desencadear uma "guerra de restrições" com a Argentina.
Mesmo assim, ele voltou a informar que discutirá com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior a possibilidade de adoção de cotas para a importação de arroz.
Conab - O ministro garantiu hoje a aquisição, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), da produção de todos os agricultores que compraram contratos de opção de venda de arroz para o governo. "Nenhum produtor deixará de exercer a opção", garantiu.
De acordo com o ministro, o produto será entregue preferencialmente no próprio município do agricultor. Nas regiões em que não houver capacidade de estocagem, a Conab utilizará os armazéns mais próximos.
Pratini fez o anúncio logo após se encontrar com o governador gaúcho, Olívio Dutra (PT), e fazer uma visita à Assembléia Legislativa. Ele acertou com o governo do estado o credenciamento, a partir da semana que vem, da Companhia Gaúcha de Silos e Armazéns (Cesa) junto à rede de armazéns oficiais da Conab.
A Cesa havia sido descredenciada em 31 de março devido a uma dívida histórica de R$ 2,8 milhões. Conforme o ministro, o débito será saldado mediante um encontro de contas que incluirá créditos de ICMS pertencentes à estatal gaúcha.


