Governo não tem recursos para atender pauta do MST, segundo Incra
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Por Hugo Marques, especial para a AE 
Brasília, 29 (AE) - A pauta de reivindicações que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) entregou ao presidente Fernando Henrique Cardoso não será atendida neste ano por falta de recursos. Ao receber o documento o presidente remeteu o assunto ao Ministério de Política Fundiária.
Mas o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Nélson Borges, adiantou que não há recursos suficientes para atender as reivindicações. Além disso, a decisão dependeria do presidente Fernando Henrique e da área econômica. Apesar das "grandes dificuldades", a estimativa de Borges é de que seja possível atender a 30% das reivindicações.
O integrante da direção nacional do MST, João Pedro Stédile, insiste que o movimento quer negociar diretamente com o presidente porque considera estarem esgotadas as conversas com o ministério. Stédile conta que, na última reunião com os ministros de Política Fundiária, Raul Jungmann, o do Planejamento, Pedro Parente, e o da Agricultura, Francisco Turra
eles disseram que não tinham poder político para resolver a pauta. "Foge da nossa alçada, nos disseram."
Stédile, que hoje esteve na Universidade de Brasília, anunciou que o movimento organiza uma segunda marcha à Brasília, no segundo semestre. A intenção é levar 100 mil sem-terra, desempregados e manifestantes para protestar na capital.
Pauta - No documento entregue ao presidente Fernando Henrique, o MST sugere o aumento do orçamento dos atuais R$ 1,4 bihão para R$ 2,2 bilhões, distribuição de cesta básica para todas as famílias acampadas e R$ 600 milhões para o Programa de Crédito Especial da Reforma Agrária (Procera). Nélson Borges afirmou que o Incra não tem autonomia para atender a todas as reivindicações. "Acho difícil a recomposição do orçamento", disse Nélson Borges. A distribuição de cesta básica, segundo ele
é decisão do Comunidade Solidária.
Os sem-terra pedem R$ 600 milhões para o Procera. Borges disse que estão previstos R$ 400 milhões em empréstimos subsidiados. Apesar das contestações, o Procera será unificado com a linha de crédito da agricultura familiar, o Pronaf.
"Respeitamos as reivindicações dos movimentos sociais"
disse o presidente do Incra, disposto a receber Stédile e outros representantes do MST. "Mas o Estado faz o que o orçamento permite".


