Londrina - "Tínhamos uma sala de aula e três laboratórios – de anatomia, de materiais dentários e fisiologia, funcionando dentro da Catedral. No começo eu não tinha muita expectativa em relação ao curso, mas a faculdade entrou na gente, criamos uma cultura de comunidade, uma convivência muito próxima que mexeu muito com todos nós. Nos mobilizamos para fazer o curso se consolidar." As lembranças são de um dos alunos da primeira turma de Odontologia, Ivan Giácomo Piza. Ele afirma que o curso nasceu graças ao esforço de um grupo de dentistas da cidade. A partir dos primeiros cursos criados, "a população passou a perceber que a cidade estava crescendo e era preciso investir no ensino superior".
Piza confirma que entre as causas das dificuldades iniciais estava a falta de apoio do governo. "Não havia interesse", revela o cirurgião dentista, que foi professor de histologia na UEL até 2004, quando aposentou-se. "Quando o curso foi criado, não imaginava-se que Londrina se desenvolveria tanto e ganharia este perfil de cidade universitária."
Também na memória dos alunos da primeira turma de Direito está presente o esforço de muitos para fazer a educação superior ganhar força no interior. "Foi uma luta da comunidade. Muitos ajudaram na criação da universidade", resume Paulo Silva, que integrava a turma pioneira de futuros advogados. Para ele, na época "Curitiba não admitia curso jurídico fora da capital". Hoje, ao olhar para trás, Silva diz que valeu a pena. "O Ministério da Educação fazia avaliações constantes. Foi uma turma puxada na rédea."
Paulo Silva fez carreira no extinto Instituto Brasileiro do Café (IBC) e atualmente mora em Curitiba. Ele veio a Londrina dias atrás para participar do encontro anual da primeira turma de Direito da UEL. Outros dez ex-alunos estavam presentes: Edgar Baer, Yolanda Voight Consentino, Nilson Molina, Akira Ito, Paulo Turce, Willian James, Sebastião Nei dos Santos, Nélio Niero, Edson Deliberador e Fuad Sérgio Ferreira.
Para Paulo Turce, a falta de experiência acadêmica dos primeiros professores não comprometeu a qualidade do curso. Muito pelo contrário. "Eram professores excepcionais. Hosken de Novaes (prefeito de Londrina entre os anos de 1963 e 1969) era o Código Civil em pessoa", brinca Turce, para quem o curso até superou as expectativas iniciais.
A hegemonia masculina nos bancos escolares era comum na época, e a primeira turma de Direito contava com apenas quatro mulheres. Uma delas era Yolanda Voight Consentino, que entrou na faculdade aos 37 anos, já casada. Hoje ela tem 93 anos e se diz ter orgulho por ter participado do começo da universidade estadual: "Fico muito feliz em ver como a UEL cresceu e é respeitada. Naquela época eu já imaginava que Londrina ia se desenvolver muito", observa a advogada. (S.L.)

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