Governo não avança em discussão sobre plantio de soja transgênica
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quarta-feira, 14 de abril de 1999
Por Mariângela Herédia 
Brasília, 15 (AE) - O governo decidiu hoje reafirmar, na primeira reunião interministerial para discutir a questão da soja transgênica no País, a decisão da Comissão Nacional Técnica de Biossegurança (CNTBio), de autorizar o plantio comercial do produto, do ponto de vista da biossegurança. O ministro da Ciência e Tecnologia, Luiz Carlos Bresser Pereira, disse, ao término da reunião, realizada no Palácio do Planalto, que a decisão da CNTBio foi definitiva e que não há mais nada a discutir a respeito. Ele disse também que não há necessidade de estudo de impacto ambiental, defendido pelo ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, para o caso da soja transgênica, e que ainda não há uma posição conclusiva a respeito da necessidade de rotulagem dos produtos transgênicos.
Segundo ele, os ministérios do Meio Ambiente, Justiça e Ciência e Tecnologia defendem a rotulagem para os produtos modificados geneticamente, mas outros, como os da Agricultura e do Desenvolvimento, entendem que só deve haver a rotulagem ao consumiodr quando houver mudanças substanciais no produto, como um tomate com vitanina C e a soja com proteínas, por exemplo. No caso da soja, argumentou Bresser, é impossível diferenciar o produto transgênico do não-transgênico.
Bresser disse que a liberação do plantio da soja transgênica está condicionada, no momento, à suspensão de liminar concedida pela Justiça de Brasília ao Instituto de Defesa do Consumidor. Ele disse, ainda, que o Brasil é o único dos grandes produtores que ainda não está plantando a soja transgênica e que isso pode representar custos muito sérios. "Do ponto de vista comercial, é muito importante para o País plantar a soja transgênica", afirmou Bresser. Ele ressaltou que é perfeitamente viável, no entanto, que Estados como o Paraná, por exemplo, possam reservar áreas para o plantio de não-transgênicos para conquistar nichos de mercado específicos. E informou que o governo deverá fazer nova reunião sobre o assunto para decidir definitivamente a questão, já que enquanto tramita a ação judicial isto não é possível.


