Washington, 06 (AE) - No início de dezembro, cerca de 20 executivos norte-americanos interessados em novas oportunidades de investimentos vão desembarcar no Rio para conhecer mais de perto o programa Avança Brasil.
A viagem do grupo está sendo organizada pelo Emerging Markets Partnership, uma firma de Washington especializada em investimentos de médio prazo em projetos de infra-estrutura que já investiu US$ 600 milhões no Brasil.
A visita é o tipo de resposta que o ministro do Orçamento e Gestão, Martus Tavares, buscava na viagem que fez aos Estados Unidos, na semana passada.
"A economia brasileira está hoje preparada para a retomada do crescimento", disse ele em três encontros com executivos de empresas e funcionários de organizações internacionais.
Seu objetivo era atrair investidores, especialmente para os projetos de infra-estrutura em energia, transportes e telecomunicações. O governo projeta investimentos de US$ 106 bilhões nos próximos anos nessas áreas e aposta que mais da metade do dinheiro virá do exterior.
Segundo o ministro, a apresentação do Avança Brasil no exterior marca "uma mudança de atitude do governo" em relação às discussões sobre a economia brasileira. Em vez de deixar que estas continuem a ser pautadas pelas dúvidas sobre a capacidade do País de completar as reformas, o governo decidiu que as etapas que faltam serão executadas e que chegou a hora de mudar de discurso: a ordem é enfatizar o que já foi feito, substituir a linguagem do sacrifício do ajuste pela dos benefícios do crescimento que começa a voltar, e apostar que os investidores estrangeiros comprarão essa mensagem e ajudarão a reforçar os argumentos em favor da aprovação das medidas essenciais para levar o País ao equilíbrio fiscal e destravar a economia: as reformas tributária e da previdência e a aprovação da lei de responsabilidade fiscal.
Tavares testou a nova estratégia ao explicar a supreendente capacidade de reação do País após a crise cambial, desmentindo as previsões de contração catastrófica do PIB. Numa palestra no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) na sexta-feira, ele explicou que a recusa da economia brasileira à recessão é o resultado dos avanços que o País fez nos cinco anos de estabilidade de preços, da posição saudável do setor privado, da reconquista da credibilidade pelo Banco Central e do firme compromisso do governo de levar adiante o programa de estabilidade fiscal que negociou com o Fundo Monetário Internacional "e que está cumprindo".
A nova atitude do governo é bem recebida por alguns analistas. "A realidade é que os contratempos na reforma da previdência e seus reflexos na economia não tiraram o assunto da pauta, ao contrário, parecem ter até contribuído para aumentar a compreensão sobre a natureza do problema e o apoio a uma solução", disse Rowena Dasgupta, principal analista do G7Group, uma firma de análise econômica. "Um dos efeitos positivos do câmbio flutuante é deixar claro que não existe alternativa ao ajuste das contas públicas."
Essa não é, contudo, uma visão unânime. O economista Paulo Leme, do banco de investimento Goldman, Sachs, que no mês passado previu corretamente a atual fase de otimismo dos investidores, adverte contra interpretações exageradas sobre o significado do fenômeno.
"A verdade é que os investidores continuam muito preocupados com a debilidade da implementação do programa de estabilidade, esteja ele em lei ou não, e as preocupações permanecem tão agudas como antes."
Segundo Leme, "a diferença positiva é que agora já há um histórico de cinco trimestres de cumprimento dos objetivos fiscais primários do programa com o FMI".
Para o economista, "o investidor reduzirá suas cobranças se o Congresso e o Supremo Tribunal Federal resolverem nos próximos meses as três grandes questões pendentes: a previdência, a reforma tributária e a lei de responsabilidade fiscal".

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