O governo já identificou o paradeiro de Wilson dos Santos, considerado pela justiça argentina testemunha importante do atentado contra à sede da Associação de Auxílios Mútuos Israelita-Argentina (AMIA), que matou 86 pessoas em 18 de julho de 1994.
Santos está sob proteção da polícia federal e vai depor no Brasil, depois de autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro da Justiça, Renan Calheiros, disse ontem, em Brasília, que o fato vem desmentir insinuações de falta de colaboração brasileira para a elucidação do caso.
O ministro não disse onde foi encontrado e em que local está sendo protegido o brasileiro. ‘‘Seu depoimento certamente vai acelerar a investigação dos fatos’’, afirmou Calheiros. ‘‘Ele está protegido e disposto a depor’’, acrescentou o ministro.
Wilson dos Santos estava sendo procurado pela Polícia Federal e pela Subsecretaria de Inteligência da Casa Militar da Presidência da República. A secretária foi a responsável pela localização da testemunha. ‘‘Isso caracteriza o desejo brasileiro de cooperar’’, salientou o ministro da Justiça.
Santos estava desaparecido desde que prestou depoimentos, em Buenos Aires, à polícia e à justiça argentinas. De acordo com o Ministério da Justiça, em 19 de junho de 1994, Santos procurou o Consulado-Geral do Brasil em Milão para solicitar entrevista com o Cônsul de Israel naquela cidade. Ele dizia ter informações sobre os autores do atentado contra a Embaixada de Israel em Buenos Aires dois anos antes, em 17 de março de 1992. ‘‘O contato foi facilitado, tendo o sr. Santos sido levado ao Consulado de Israel’’, informou o ministro Calheiros.
Santos teria namorado uma iraniana que revelou estar envolvida em um grupo participante do atentado à embaixada. Em 19 e 20 de julho de 1994, após o atentando contra a AMIA, Santos voltou ao Consulado- Geral do Brasil para dizer que havia falado com autoridades consulares de Israel e da Argentina e que iria a Buenos Aires para prestar informações sobre os atentados. Ele prestou declarações à Polícia Federal e à justiça argentina e depois foi liberado, não tendo sido mais encontrado.
No final de dezembro de 1997, a justiça argentina encaminhou ao Brasil duas cartas-rogatórias, solicitando a localização de Santos e obtenção de informações da visita da testemunha ao Consulado-Geral do Brasil em Milão.
O Ministério da Justiça e a Subsecretaria de Inteligência da Casa Militar chegaram a divulgar, há dois meses, uma nota oficial à imprensa, rejeitando que o governo brasileiro estaria acobertando uma fonte considerada importante para a elucidação do atentado.

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