Brasília, 04 (AE) - O governo vai liberar R$ 750 milhões para iniciar o financiamento de custeio da safra de grãos 1999/2000 até sexta-feira, segundo o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes. Ele disse que os recursos estão disponíveis nas agências do Banco do Brasil (BB) para que o produtor possa contratar as operações de empréstimos. De acordo com o diretor de crédito rural em exercício do BB, Biramar Nunes, as agências já têm muitos contratos aguardando apenas a liberação dos recursos, e as primeiras operações deverão ser realizadas a partir de segunda-feira.
Ele informou que o banco aguarda apenas a publicação das portarias do Tesouro Nacional no Diário Oficial autorizando a equalização dos recursos - que garante o pagamento da diferença entre os juros de mercado e os dos empréstimos, de 8,75% ao ano. "As portarias devem ser publicadas amanhã e, pelo quarto ano consecutivo, vamos iniciar a liberação dos recursos com antecedência e oportunidade, no início de agosto", disse Biramar Nunes à Agência Estado.
Dos R$ 13,1 bilhões anunciados pelo governo para o financiamento da safra de grãos 1999/2000, R$ 11 bilhões deverão ser destinados a operações de custeio e comercialização. "A liberação será feita de acordo com o fluxo de recursos e a demanda pelos empréstimos", explicou o diretor do BB.
O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, defendeu hoje a criação de mecanismos modernos para financiamento da agricultura
com a redução da dependência dos recursos oficiais para o plantio. "A agricultura no mundo inteiro é financiada pela venda da safra nos mercados futuros, com os mecanismos adequados para que isso possa funcionar", disse o ministro, ao anunciar que o governo tomará todas as providências para que nos próximos anos a maior parte do financiamento da agricultura brasileira possa ser feita via mecanismos de mercado. "O crédito oficial cada vez mais deverá ser conduzido para a pequena agricultura familiar, que requer subsídios", observou.
Pratini lembrou que na semana passada o Conselho Monetário Nacional (CMN) já aprovou a ampliação de mecanismos de mercado futuro e disse que está trabalhando junto ao Banco Central para criar novos mecanismos de financiamento ao setor.

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