São Paulo- O governo federal anunciou ontem a liberação de R$ 1,97 bilhão em ajuda para os Estados afetados por calamidades, entre os quais o de Santa Catarina, que sofre com enchentes decorrentes das chuvas intensas.
Do total anunciado, R$ 1,6 bilhão virão por meio de medida provisória, que deve ser assinada ainda ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada em edição extra do Diário Oficial da União. Desse montante, R$ 720 milhões serão destinados à Defesa Civil, R$ 350 milhões à recuperação de portos, R$ 280 milhões à recuperação de estradas, R$ 150 milhões a ações das Forças Armadas e R$ 100 milhões a ações de saúde.
Santa Catarina ficará com o total previsto para as áreas de saúde e de portos. Dos R$ 280 milhões voltados para a recuperação de estradas, R$ 129 milhões irão também para o Estado, e a estimativa preliminar do Ministério da Integração Nacional é de que Santa Catarina receba R$ 100 milhões da parte destinada à Defesa Civil.
Além dos recursos que virão por meio de medida provisória (R$ 1,6 bilhão), o Ministério da Fazenda está fazendo aporte específico de R$ 370 milhões para o governo do Estado de Santa Catarina, por meio de títulos públicos.
De acordo com o porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, já estão prontas para remessa ao Estado mais de 10 mil cestas básicas. Ele disse que o presidente Lula determinou aos ministros da área econômica e à chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que ''assegurem os recursos necessários para confortar a população catarinense neste momento sofrido''.
A enchente que trouxe destruição e morte a Santa Catarina também causou prejuízo de pelo menos R$ 300 milhões aos principais setores da economia da região do Vale do Itajaí. Além disso, o rompimento do gasoduto que abastece o Estado e o Rio Grande do Sul - ocorrido domingo (23), na cidade de Gaspar, a 140 quilômetros de Florianópolis -, paralisou setores de outras regiões, como o cerâmico.
''Há indústrias que nem foram alagadas, mas os funcionários ainda não voltaram para o trabalho'', disse o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Glauco José Côrte. É o caso do pólo têxtil de Blumenau e região, onde atuam 65 mil trabalhadores. Desde segunda-feira (24), cerca de 60% dos funcionários não compareceram. Com as fábricas operando parcialmente, segundo o Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau, as empresas deixam de faturar US$ 10 milhões por dia.

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