Araçatuba, SP, 29 (AE) - O Ministério da Saúde anunciou hoje a liberação de R$ 1,1 milhão da Fundação Nacional de Saúde para o combate da leishmaniose visceral na região de Araçatuba, a 540 quilômetros de São Paulo. Durante o evento, o ministro José Serra disse que o governo aposta nas pesquisas que estão sendo feitas por laboratórios de Minas Gerais e São Paulo, em busca da eficiência de uma vacina que combata a doença em cães. O remédio evitará principalmente o uso das mesmas drogas que atualmente combatem a doença quando ela atinge o homem.
Segundo Serra, a vacinação dos animais poderá trazer um controle mais rápido da doença que já atingiu 26 pessoas com duas mortes na cidade de Araçatuba e está presente em mais 20 municípios da Alta Noroeste. O ministro esteve na cidade para participar de uma conferência sobre saúde pública na Faculdade Toledo. O dinheiro liberado deverá ser usado principalmente na coleta de amostra de sangue canino - procedimente necessário para localização do cão hospedeiro da doença, além de aplicação de inseticidas e nebulização com equipamento pesado.
A vacina para cães, defendida por Serra, evitará que a leishmaniose se alastre por culpa dos donos de animais contaminados que evitam o sacrifício deles por parte dos agentes sanitários. Atualmente, a lei não permite, mas muitos fazem uso da medicação humana para tratar os cães doentes. Os médicos e pesquisadores no entanto, condenam esse método porque ele pode fazer com que o vírus ganhe mais resistência e o remédio passe a ser inócuo em seres humanos.
O primeiro caso de leishmaniose viceral foi registrado há um ano e quatro meses num cachorro que perambulaba pela cidade de Araçatuba. A constatação foi de estudantes e professores da Faculdade de Medicina Veterinária do campus local da Unesp. Até agora já foram sacrificados mais de 2 mil cães, mas faltam recursos e meios para que todos os 40 mil animais da cidade possam ser examinados.

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