Governo lança no dia 19 programa de crédito agrícola
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quinta-feira, 06 de janeiro de 2000
Por Renato Andrade 
Brasília, 06 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, devem lançar no dia 19 um novo programa de ampliação das linhas de crédito para o setor agrícola. Entre as medidas que serão anunciadas está incluída uma série de novos serviços que estão sendo estudados pela diretoria de Negócios Agrícolas do Banco do Brasil (BB). Entre as novidades está previsto a colocação no mercado da Cédula do Produtor Rural (CPR) com liquidação financeira, além do lançamento de um fundo que permitirá aos produtores operarem nos mercados de futuros e opções. O programa deve se chamar "Empreendedor Rural".
Hoje cedo os ministros Pratini de Moraes (Agricultura), Pedro Parente (Casa Civil) e o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, se reuniram no Palácio da Alvorada para discutir as medidas.
Segundo fonte do Ministério da Agricultura, a reunião foi mais um dos encontros de "trabalho" entre as três autoridades para alinhavar as medidas que deverão ser anunciadas dentro de duas semanas. Essa mesma fonte confirmou que os serviços que estão sendo estudados dentro do Banco do Brasil farão parte do programa. "Mais isso não é tudo", afirmou a fonte sem dar maiores detalhes sobre as outras medidas que serão anunciadas.
Assim como as CPR físicas, a cédula com liquidação financeira será voltada para os produtores obterem adiantamentos financeiros para custear a produção. A diferença é que o comprador deste novo título não terá que receber, ao final da operação, o produto lastreado. Atualmente o BB trabalha com CPRs para produtos como café, soja, algodão, boi, milho, trigo e batata.
De 1996 a 1999 o volume de recursos obtidos pelos produtores através destes títulos aumentou gradativamente. Em 1996, a Gerência de Negócios com CPR e Garantia de Preços da instituição registrou um volume de R$ 37 milhões em operações através de cédulas de produto rural. Em 1997 este volume foi de R$ 63 milhões, depois cerca de R$ 79 milhões, em 1998. No ano passado este volume somou R$ 143 milhões. Ainda assim, este volume representa pouco mais do que 2% da necessidade total de crédito para o financiamento agrícola da produção brasileira.
A expectativa dos técnicos do BB é de que as operações com CPRs este ano cheguem a um patamar de 10% do volume de crédito para atendimento das necessidades de financiamento do produtor agrícola brasileiro. A maior demanda identificada hoje pela direção do BB em relação à CPR está relacionada às cédulas lastreadas em café. Do volume total de R$ 143 milhões em operações realizadas através de CPRs em 1999 pelo banco, 61,8% foram com títulos ligados ao café.
A soja, que responde pelo segundo lugar em demanda, teve 12% do volume total. A CPR Financeira deve ser lançada pelo governo através de Medida Provisória a ser anunciada junto com as demais medidas do programa Empreendedor Rural.
Dentre os outros serviços que o BB está elaborando, e que farão parte do programa de ampliação do crédito agrícola, está a criação de um fundo para financiar operações de produtores em mercados de futuros e opções. Os produtores terão apenas que lançar uma CPR como garantia das operações junto ao banco. Além disso, a direção do BB já está acertando com o Banco Central o lançamento de compra e venda de opções de contratos financeiros lastreados nas cotações de commodities nas bolsas de Mercadoria e Futuros de São Paulo (BM&F), além de Chicago e Nova York.
Os produtores poderão adquirir estas opções nas agências do BB e o lançador destes contratos será o banco australiano Macquire Bank, que adquiriu a divisão de commodities do Bankers Trust, de Nova York, quando a instituição foi adquirida pelo DeutcheBank. Toda a documentação para formalizar estas operações já foi discutida com o Banco Central e os técnicos do Banco do Brasil já realizaram uma série de testes de mesa junto a instituição australiana para, a partir de março, iniciar a oferta das opções de compra e venda nas agências. As operações em mercados futuros e de opções são consideradas pela governo uma possibilidade dos produtores brasileiros utilizarem mecanismos de proteção (hedge) de preços e produtos.


