Brasília, 05 (AE) - O governo quer estimular o cultivo do trigo e reduzir a dependência que o País tem anualmente do produto importado, especialmente da Argentina. Para isso, o ministro da Agricultura, Marcos Pratini de Moraes, informou hoje que, pela primeira vez, serão lançados contratos de opção - instrumento pelo qual o governo garante a compra do produto caso o preço de mercado estiver abaixo do valor mínimo oficial - para o trigo na safra deste ano. No total serão lançados contratos para 700 mil toneladas do cereal, sendo que os primeiros leilões
para 150 mil toneladas, serão realizadas já neste mês de abril.
O valor que o governo pretende pagar ao produtor - caso os preços do mercado não sejam compensatórios - pela tonelada do trigo, no vencimento dos contratos, previsto para setembro deste ano, é de R$ 213,00 a tonelada. Para ter esse direito assegurado
o produtor terá que pagar um bônus de R$ 1,06 por tonelada na assinatura dos respectivos contratos.
Segundo o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa, o lançamento de contratos de opção traduzem o apoio concreto do governo para aumentar a produção de trigo, que no ano passado foi de 2,402 milhões de toneladas. A decisão do governo foi anunciada uma semana depois de o Conselho Monetário Nacional autorizar a fixação de um preço mínimo para o produto de R$ 205,00 a tonelada para a safra deste ano.
O Brasil consome anualmente 9,5 milhões de toneladas de trigo, deste total 75% são importadas. No ano passado foram consumidos US$ 832 milhões com a importação de 6,8 milhões de toneladas do produto, especialmente da Argentina. A estimativa da safra nacional deste ano é de 3 milhões de toneladas, mas a importação deverá continuar em torno de 7 milhões de toneladas.
Algodão - Pratini de Moraes também anunciou hoje o lançamento de contratos de opção para a safra de algodão em pluma deste ano. No total, serão lançados contratos para 142 mil toneladas, com um preço de exercício inicial de R$ 32,62 por arroba do produto (15 quilos), e com vencimento previsto para setembro próximo.
Este é o terceiro ano em que o governo pratica este tipo de mecanismo para apoiar a comercialização do produto, sendo que o valor estipulado é um real acima do praticado para a arroba do algodão no ano passado, quando este preço foi de R$ 31,62 por arroba. Para ter direito à garantia oferecida através dos contratos de opção, o produtor terá que pagar um bônus inicial de R$ 0,16 por arroba.
Benedito Rosa explicou que serão leiloados ainda neste mês 22 mil toneladas de algodão, cujo edital deverá ser divulgado na próxima semana. Ainda não há definição se serão realziados dois ou três leilões, informou. Ao adotar esse tipo de mecanismo na comercialização, o governo está estimulando o cultivo de algodão, produto com o qual o País gastou US$ 357 milhões em importações no ano passado. A produção da safra prevista para este ano é de 622 mil toneladas de algodão, para um consumo previsto em 832 mil toneladas do produto.
A estimativa do governo é a de que as importações fiquem em torno US$ 312 milhões, com a aquisição de 240 mil toneladas de algodão. Isso significa, segundo Benedito Rosa, uma economia de US$ 500 milhões para o País nos últimos três anos com relação à importações do produto. No ano passado o governo lançou contratos de opção para 130 mil toneladas de algodão, sendo que deste total, teve que comprar dos produtores 45 mil toneladas.

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