Governo lança campanha de prevenção a aids e espera apoio da Igreja
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de abril de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 02 (AE) - Dispensar o preservativo porque tem parceiro fixo é uma armadilha especialmente para as mulheres. Por isso, o desafio do governo a partir deste ano é convencer o brasileiro a mudar seu comportamento sexual para barrar a epidemia da aids.
Pedro Chequer, coordenador do Programa de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids (DST/Aids) do Ministério da Saúde, revelou que o governo está preparando um plano de informação, educação e comunicação que deve ficar pronto no fim deste mês. O tom da campanha é a responsabilidade de cada um no problema. E a Igreja poderá ser a grande aliada na disseminação do conceito de parceiro único. "É o ponto que nos une", disse. A partir do segundo semestre, segundo Chequer, o Brasil vai adotar os preservativos femininos para garantir maior autonomia às mulheres. "Inicialmente, o acesso ficará restrito a profissionais do sexo e organizações não-governamentais que trabalham com mulheres e população de baixa renda", informou Chequer, afirmando que, apesar de a pesquisa de aceitabilidade das camisinhas femininas ainda não estar fechada, já aponta um alto índice de aceitação. Com o preservativo, a mulher toma a decisão de cuidar-se, sem depender do parceiro.
Levantamentos mostram que as vendas de preservativo tradicional aumentaram de 50 milhões em 1993 para estimados 340 milhões em 1998. Em três meses, deve ficar pronta a pesquisa sobre comportamento e práticas sexuais dos brasileiros, do ponto de vista de orientação sexual, do uso de drogas e de relacionamentos afetivos. Na população jovem, a média de uso do preservativo de forma permantente é de 40%. Na população adulta, o uso é menor, em torno de 25%, porcentual baixo.


