Brasília, 24 (AE) - O governo lançou hoje o Programa Prioritário de Termelétricas, que está sendo considerado pelo setor como o mais ambicioso projeto de geração de energia desde a construção da usina de Itaipu, na década de 70. Em uma solenidade que contou com a presença de cerca de 500 pessoas no Palácio do Planalto, mais de 40 empresas assinaram protocolos de compromisso para construção de 49 usinas térmicas em 19 Estados do País.
Ao todo, o governo estima que serão investidos US$ 8 bilhões nestas usinas, dos quais o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderá financiar até 30%. "É uma possibilidade, mas não há nenhum compromisso", disse o ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho. Segundo ele, a maior parte dos recursos será obtida no mercado externo. As 49 usinas, que deverão estar concluídas em até quatro anos, deverão gerar 15 mil megawatts de energia.
Estimativas do governo apontam que o programa de termelétricas deverá criar cerca de 25 mil empregos diretos na fase de implantação das usinas e 50 mil indiretos nas regiões onde serão instaladas as térmicas. Quando estiverem concluídas, as usinas deverão empregar cerca de 2 mil pessoas na operação. Segundo a secretaria de Energia do Ministério de Minas e Energia
pelo menos 20% da fabricação de equipamentos ficarão a cargo da indústria nacional.
"Ao escutar o desfilar do nome das empresas que estarão trabalhando para produção de energia eu perguntava ao vice presidente Marco Maciel quantos países seriam capazes e de em um só impulso gerar uma capacidade tão grande e expressiva de capitais, recursos técnicos e de disposição política e vontade crescer como o nosso Brasil", comemorou o presidente Fernando Henrique Cardoso. "Eu fico particularmente feliz quando vejo o que está sendo feito no setor elétrico brasileiro", disse o presidente.
Ao todo o governo pretende aumentar em 40% a capacidade de geração de energia do País até 2004. Segundo Rodolpho Tourinho, o País precisa de mais 26 mil megawatts de energia em quatro anos e com as térmicas estaria garantido este fornecimento. O ministro ressaltou que governo não pretende abrir mão dos recursos hidrológicos e da energia gerada em usinas hidrelétricas e por isso ainda prevê o aumento em 15 mil megawatts da energia gerada nestas usinas.
Tourinho explicou que as usinas térmicas, porém, são estratégicas para afastar o risco de desabastecimento nas grandes cidades, pois estão mais próximas dos grandes centros do que as hidrelétricas. O programa anunciado hoje prevê a utilização de gás natural importado principalmente da Bolívia, além do insumo produzido em Urucu, no Amazonas, e na Bacia de Campos. Algumas usinas funcionarão a carvão e com xisto betuminoso. A Petrobras, que será fornecedora de boa parte do gás, irá entrar como sócia minoritária em cerca de 20 usinas.

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