Tóquio, 01 (AE-AP) - O governo japonês garantiu hoje (01) ter controlado o vazamento de energia nuclear de uma usina de reprocessamento de urânio em Tokaimura, na área de Ibaraki, e retirou a advertência para que os cerca de 300 mil moradores num raio de 10 quilômetros do acidente não saíssem de casa. Foi o pior acidente nuclear na história do Japão.
As autoridades mantiveram a restrição de acesso à população apenas para a área ao redor da usina, de onde foram removidas às pressas hoje 160 pessoas. A região fica a 140 quilômetros de Tóquio.
O porta-voz do governo japonês, Hiromu Nonaka, reconheceu que as autoridades federais demoraram para reagir. "Nós admitimos que, na decisão sobre o quanto o acidente era sério, nossa reação foi inadequada", afirmou Nonaka, respondendo às duras críticas de populares e políticos.
Já JCO, companhia privada que controla a usina e integra o grupo Sumitomo Metal Mining Co., admitiu que sérias falhas no cumprimento das normas de segurança provocaram o acidente. A polícia está interrogando os funcionários da empresa. O governo e a JCO estão sendo duramente criticados por não ter reagido com rapidez e eficiência para minimizar os efeitos da tragédia, especialmente no que se refere à liberação de informações sobre possível perigo para a população.
De acordo com o governo, 49 pessoas foram expostas a altos níveis de radiação. Três trabalhadores estão hospitalizados em estado grave e têm pouca chance de sobreviver. Seus sintomas incluem diarréia, febre, elevado número de glóbulos brancos e pele avermelhada. Entre outros afetados estão 36 empregados da usina, sete pessoas que trabalhavam num campo de golfe nas proximidades e três bombeiros. O governo informou hoje que o acidente foi de nível 4 na escala de acidentes nucleares (de 1 a 7).
Altos funcionários da empresa asseguraram que o nível de radiação voltou ao normal e os habitantes da região não correm mais perigo, mas a população continua assustada. Médicos que realizaram check-ups hoje disseram que os problemas maiores serão para quem estava muito perto da usina. Milhares de pessoas foram hoje ao centro comunitário de Tokaimura para passar por testes sobre níveis de radiação.
A tragédia ocorreu na quinta-feira, quando trabalhadores da unidade de Tokaimura misturaram 16 quilos de urânio com ácido nítrico para fabricar combustível para a usina de energia nuclear. Mas o tanque de sedimentação tinha um limite de segurança de 2,4 quilos de urânio. Como resultado, a concentração do isótopo 235 ativo de urânio alcançou o que é chamado de "massa crítica " necessária para a fissão e causou uma reação nuclear.
Mesmo com o levantamento da restrição para sair às ruas, a grande maioria das lojas e janelas de Tokaimura permaneciam fechadas - seguindo a recomendação dada na quinta-feira pelas autoridades. Raras pessoas eram vistas nas ruas, os trens trafegavam praticamente vazios e e as escolas permaneceram fechadas. Policiais vestindo roupas especiais bloqueavam as estradas de acesso à usina.
E, apesar de os especialistas garantirem que o nível de radiação liberada não foi elevado o suficiente para provocar perigo à saúde da população - a menos que estivessem muito perto da usina - muitos moradores permaneciam céticos.
Os governos russo e americano informaram estar prestando asessoria às autoridades japonesas.

mockup